terça-feira, 15 de agosto de 2017

Os erros que nos afligem

Por Tiago Navarro

Os erros que nos afligem são erros necessários para a nossa evolução. Encara-los de maneira positiva, sem desculpismos e com maturidade, é o nosso desafio.

Quantas vezes no passado tentamos inúmeras formas de reparar os erros que produzimos, e quantas vezes logramos êxito nessas tentativas? Se a resposta não for há contendo, é sinal que se faz hora de mudarmos o nosso roteiro correcional.

Por quanto tempo mais vamos protelar os nossos objetivos, os nossos desejos sinceros, e a nossa oportunidade de escrevermos sérias páginas de luta e vencimento de nossas contendas em nosso livro da vida?

O desânimo nunca foi bom conselheiro para aqueles que se dedicaram na recuperação de suas falhas. Todos esses que nos inspiram à vidas melhores tiveram, ao longo de sua jornada evolutiva, o profundo e sincero desejo de se locomover no labor do progresso.

A vida em si é um campo fértil de oportunidades remissoras e tem por objetivo nos impulsionar ao caminho do Cristo, o caminho do bem proceder, o caminho do equilíbrio, o caminho da união entre todos os irmãos, e a ascensão à perfeição do ser.

Por isso devemos nos auxiliar mutuamente, desejosos de não deixar passar nenhuma oportunidade que nos apresente, individual e coletivamente. Quando tivermos essa percepção como uma única entidade coletiva, então estaremos mais próximos dos reinos celestiais apresentados pelo Mestre Nazareno.

Que a paz e o amor do Cristo estejam convosco.










quarta-feira, 12 de julho de 2017

O relato do marido de professora assassinada no centro espírita de Pernambuco

Foto: Rafael Furtado / Folha de Pernambuco
A violência alcança no Brasil números iguais aos de países em guerra. É muito triste para nós brasileiros encarar dados alarmantes com índices de assassinatos altíssimos e, pior, crescentes. Para nós, espíritas, também é muito difícil conviver com essa realidade do nosso país, e, o que aconteceu no último dia 5 de julho, ainda nos comove, e presto toda a solidariedade aos amigos do Grupo Espírita Amor ao Próximo (Geap), de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco.

Mas a força do educador Sérgio Costa, que viu a sua esposa, Luisiana de Barros Costa, de 57 anos, ser morta durante o tiroteio no Geap, é muito inspiradora. Em seu depoimento ao jornal Folha de Pernambuco, ele mostrou temperança, resignação e, sobretudo, capacidade de perdão.

Vejam o seu relato:

"Ela estava em tratamento espiritual. Esse tratamento espiritual começa às 19h e a palestra às 20h. E toda quarta-feira eu deixava ela 18h30, 18h40 e 20h50 ia buscar. E assim foi quarta-feira. Eu cheguei, o guardador de carros é uma pessoa antiga lá. Os meus meninos eram pequenos e a gente já frequentava, hoje eles tem 26 e 30 anos. O rapaz que vende pipoca também é antigo lá. Por que eu estou citando eles? Porque estava eu, os dois, na entrada conversando na parte coberta, porque estava chovendo. E tinha também um senhor esperando a esposa.
Surgiram quatro homens armados, agressivos, inquietos, colocaram a arma na nossa cabeça e saíram nos levando. "O que é isso aí?", perguntou um deles. "As pessoas estão rezando", eu disse. "Que nada de rezando", respondeu. Eles não sabiam nem o que era. Não sei se passaram oportunamente ou se viram muitos carros. Não sei exatamente o que aconteceu. Mas eles estavam agressivos, empurrando. E eu fui o primeiro, com o revólver na cabeça. E eles já entraram gritando: – é assalto, quem falar eu mato ele. Esse ele, seria eu. A minha esposa lá assistindo tudo, coitada. E ai prosseguiu. o comando lá do espiritismo, os palestrantes, o Liszt Rangel teve muito equilíbrio, conseguiu equilibrar. Mesmo diante de tanto desespero ele conseguiu manter um pouco do equilíbrio. Subiram quatro conosco e depois nós vimos mais três entrando, que deviam estar lá fora dando apoio. Agora se tinha mais infiltrados eu não sei. A certeza que eu tenho é que quando eles chegaram, esses quatro não sabiam o que era ali.
Em um certo momento, um bandido que estava me apontando viu muito celular, muitas carteiras e pediu para um dos assistentes da palestra tirar a camisa para colocar. E nesse momento ele me soltou. Quando ele me soltou, baixou a cabeça, e o de lá também baixou. Foi quando eu vi que alguém da platéia puxou uma arma e atirou no bandido que passou. E aí começou. Não sei dizer o nome dele, mas vi a hora que ele levantou, botou a mão atrás e tirou a arma. Atirou no bandido que passou por ele. O bandido caiu e ele deu vários tiros e foi atingido por um bandido que correu pra lá e atingiu a cabeça dele. Dai pra frente eu não vi mais nada porque fui atrás da minha esposa. 
Não sei a quantidade de tiros, eu sei a quantidade de sangue, que era muito. Comecei a procurar a minha esposa. Ela estava na platéia. Quando encontrei ela já estava morrendo. Deu tempo de chamar meu filho e ela morreu em nossos braços. Meu filho ficou com a roupa ensanguentada, eu também, e ela morreu em nossos braços, mas morreu lutando. Morreu como uma guerreira que ela era. Mas ela morreu em paz, ela estava se despedindo. Toda reunião ela levava um livro pra doar e comprava outro. E o último livro que ela leu parou na página 41, marcou. Morrendo me entregou, e dizia que a morte não existe. Existe a passagem. Que a vida continua. Que a vida sempre é vida.

E nós não vamos culpar ninguém. O policial, ele não teve má intenção. Ele teve a intenção de ajudar. Mas infelizmente o impulso nem sempre é racional. Não vou culpar o policial, até porque ele tem familiares que nesse momento estão chorando por ele. Não vou culpar a polícia, não vou culpar o governo. São as mazelas sociais que existem em todo universo terrestre. Cabe a nós, que ficamos, cuidar para melhorar e para fazermos o bem. 
O que fica é a saudade, a falta. Mas minha esposa era uma pessoa evoluída. Todo espírito evoluído quando encarna ele encarna em silêncio. Quando ele desencarna, ele cria um barulho. E ela foi manchete nacional. Ela era um espirito evoluído. A minha esposa era fantástica. Foram 39 anos de companheirismo e ela cuidou de mim a vida toda. E eu me preparei a vida toda para deixá-la bem e não para ela me deixar. Mas ninguém é Deus. Ele é único, onipotente. Mãe fantástica, educou dois filhos. Fantástica, não tem outra palavra.

Não vamos deixar de frequentar o centro. Tenho um filho que é evangélico e tenho outro que é espirita conosco. Nós frequentamos a igreja evangélica, a igreja católica e eu já combinei aqui com meu amigo Frederico Menezes, que é um palestrante que a minha esposa adorava assistir, para ele organizar, lá no Geap, no mesmo local que ela morreu, uma palestra que vai lotar a casa."







quinta-feira, 6 de julho de 2017

Saber pedir ajuda

Por Miréia Carvalho

Todos nós precisamos de ajuda em algum momento de nossas vidas, e não existe ninguém que não precise de um socorro ao longo dessa longa jornada. O que acontece é que nem sempre pedimos ou aceitamos. Algumas vezes, as pessoas que nos querem bem percebem a nossa necessidade e se aproximam, mas se não admitimos a necessidade de apoio, podemos desperdiçar esses valiosos recursos que a vida nos dá.

Pedir ajuda pode representar não só assumir a própria fragilidade, como a exposição dessa fragilidade para outras pessoas. Por conta do orgulho, muitos não querem isso, porque é incômodo aceitar a própria fragilidade em um mundo feito para fortes.

Pedir ajuda, seja no trabalho, na saúde, na família, na religião pode trazer grande alívio. Podemos dividir o fardo de algumas situações – e sem precisar carregar tudo sozinho – , o que nos permite ouvir palavras acolhedoras, encontrar novas formas de enfrentar uma situação que aparentemente não tem saída, ganhar novo ânimo, receber um ombro para descansar nossas preocupações e superar desafios.

É necessário que reflitamos que se já empregamos todas as nossas possibilidades e não conseguimos mais caminhar sozinho em determinado assunto, é hora de fazer esse gesto de generosidade conosco e pedir ajuda.

Nesse caminho podemos contar com vários tipos de ajuda:

A ajuda no plano pessoal: que é buscar amigos e familiares de confiança, que querem o nosso bem e que poderão nos ouvir com atenção e carinho.

A ajuda profissional, que é um apoio fundamental pois há muitos profissionais que estudam e são mais preparados para lidar com questões difíceis, como psicólogos e médicos. Busque boas indicações e sempre perceba qual a sua impressão diante do profissional que o atende. A relação de bem-estar e confiança com um profissional é fundamental para o sucesso no enfrentamento das situações difíceis.

A ajuda espiritual, porque se acreditamos no plano espiritual, em algo maior, estarmos conectados com essa espiritualidade e com os nossos amigos espirituais, nos dará segurança e esperança.

Aprender a pedir ajuda quando necessário é um ato de humildade e coragem. O apoio do outro nos fortalece, aumenta nossas chances de vencer os obstáculos e alcançar nossos objetivos.

Quando pedimos ajuda, rompemos com os nossos preconceitos e damos um voto de confiança para a outra pessoa. Estabelecemos vínculos, quebramos a couraça de orgulho e arrogância que nos torna vítimas, acreditando que não podemos confiar em ninguém e que estamos completamente sozinhos.

Temos vergonha de nós e de nossos problemas. Ninguém irá humilhar o outro por que está precisando de ajuda, pensem nisso.

O ideal é contar com o máximo de auxílio possível, nos diferentes campos disponíveis.

Sabermos o momento de pedir ajuda, e não ter vergonha em fazê-lo, é fundamental para a nossa saúde psíquica, mostra que reconhecemos o nosso limite e que podemos fazer alguma coisa de bom por nós mesmos. Aceitar ajuda é tornar a vida mais humana e leve.














Na Solidão

Por Tiago Navarro

Vivemos tempos ditos difíceis, que nos causam estranhamento, e que, nos conduzem ao sentimento de impotência perante essas adversidades. Porém, o que se dá com as pessoas, que passam por momentos de solidão? Como será que elas têm percebido estes momentos?

Algumas pessoas mais sensíveis à dor humana dirão que o tempo atual têm se apresentado como a era da solidão. Cada qual se restringindo à sua ilha, ou ao seu pequeno mundo, onde só há espaço para os merecedores ou os conquistadores mais destemidos. Depois de termos nos ilhados com tanto afinco, agora desejamos algo mais.

E como ter esse algo mais, se a essência de se conectar, de romper-se com as distâncias, e do poder para derrubar os muros do isolamento, foi-se perdido? Bem, para tal, faz-se necessário o conhecimento do ato! Não é fácil, principalmente quando já se perdeu essa emanação.

Como foi dito por Aristóteles[1], o ato é a própria existência de algo, enquanto que a potência é tudo aquilo que um determinado ente pode vir a ser. Se há em nós o desejo de sermos amados, devemos primeiro pensar ou perscrutarmos, e quem sabe, até mesmo, fazermos um esforço para lembrar de que somos dotados do amor, porém, devemos antes de tudo, trabalhar esse amor enquanto potência, para fazê-lo sair do estado de latência para a reverberação, e dessa maneira, sê-la uma atitude intrínseca do nosso ser.

Seguindo pela tradição da Grécia Antiga, podemos pensar sobre o esforço de potencializar o amor, numa visão gradativa, onde teremos de vivenciar os seguintes estágios: Porneia, Eros e Filia. Encontramos uma referência interessante sobre essa gradação com Jean-Yves Leloup[2], onde ele nos diz o seguinte: 
“... a primeira palavra para falar do amor é o termo Porneia que se refere ao amor do bebe por sua mãe – isso quer dizer que ele a come! Ele gosta de seu leite, de seu calor, ou seja, do objeto materno. Para uma criança é magnifico amar desta forma...” Em seguida apresenta o conceito de Eros: “... após a Porneia, existe Eros (...) lembremo-nos de que, entre os gregos, é um deus. E nós transformamos esse deus criança e brincalhão em um ‘velho porco’! É lamentável porque esse deus tinha asas (...) Eros é o amor do inferior em relação ao superior, o amor da beleza, (...), no entanto, pelo Eros, de repente, no abraço íntimo dos corpos, na atração, na pulsão, surge também o amor pelo outro, pela sua beleza, amor que não podemos possuir/ter… que não podemos consumir...” E prossegue com o Philia (Filia): “... Philia, phileo significa ‘eu te amo com amizade’. Já não é o amor do inferior pelo superior, nem o amor daquele que está carente direcionado para aquele que tem (lembremo-nos de que Eros é filho de Pobreza – a carência – e de habilidade). Eros está, ao mesmo tempo, repleto de malícia e repleto de carência. O amor erótico é bastante sutil, muito malicioso, travesso. Trata-se de um traquina... mas, ao mesmo tempo, há carência. Por sua vez, a Philia é amar o outro enquanto outro. Trata-se de um amor de intercâmbio: eu te dou e eu recebo, compartilho o que eu sou e recebo o que tu és. É o amor humano propriamente dito. Raros são os seres humanos que conseguem amar-se dessa forma! “

Dessa maneira, ele nos permite vislumbrar e perceber que, enquanto negarmos a nossa necessidade de aprendizado emocional, desenvolvendo essa potência, continuaremos tendo experiência de amor antropófago – como a Porneia, consumindo todos que desejarem estar conosco, e seremos as “eternas crianças de colo”, desejando primeiro sermos amados para então poder ofertar amor; ou revestiremos com o amor erótico, onde então teremos o desejo de criarmos vínculos, mas como ainda precisamos suprir nossas carências, exigiremos que nos deem segurança para então tomarmos a “condescendente honra” de retribuir a segurança; podemos até acreditar que somos capazes de compartilhar o que somos com os outros, porem como quase sempre adotamos a postura de termos nossas necessidades atendidas para daí atender as necessidades alheias, caímos na ilusão de que já potencializamos o amor ao status de Filia e infelizmente essa postura só nos leva a perceber que estamos ocultando a busca por nossas satisfações com o que há de mais doloroso no ser humano, o egoísmo.

Quando o núcleo da nossa personalidade ou o controle de nossas crenças internas versus os ditames do mundo exterior se adoece, padecemos de egoísmo (ego + ismo, onde – ego: princípio de organização dinâmica, diretor e avaliador que determina as vivências e atos do indivíduo; ismo: designa intoxicação de um agente), e esta enfermidade é sentida em cada relação, cada vinculação, e nos leva a estados cada vez mais febris.

Quando nos machucamos por uma desilusão, ou a uma crítica severa, ou a um escárnio público, ou a uma desdita da vida, nos findamos emocionalmente e animicamente, e esse ressurgimento quase sempre é feito – tomando como alicerce primário – pela nossa própria dor. Sabendo-se que é necessário prover uma fundação em bases solidas e propícias para a edificação, e que a colheita advém após o plantio, é notável percebermos que, escolhemos inconscientemente – no nível não racional – como plano diretor, nos reconstruirmos pela dor; e consequentemente, ao fazermos a fundação ou o plantio de nós mesmos pela dor, naturalmente colheremos os frutos dessa dor. E o fruto dessa dor será a solidão, visto que, qualquer pessoa que se aproximar, provavelmente despertará em nós o medo de sofremos mais uma vez, aquela bendita dor.

Mas há outras formas de se ver no mundo, e uma delas se apresenta sob a forma da caridade. Não aquela caridade mercantil, de doarmos quantias financeiras, ou pagarmos pelo ato caritativo. Estou a me referir do amor em movimento, do doar-se, do agir pelo simples fato de querer agir. Kardec ao tecer seu comentário à questão 886 de O Livro dos Espíritos, diz: “O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejaríamos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos. A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. (...) O homem verdadeiramente bom, procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa. “


Vários fundamentalistas teólogos disseram que fora de suas crenças não há salvação, mas digo-te, que dentro deste amor manifesto há salvação. Você, por você, poderá te salvar deste estado de solidão. Quando perceber que há um mundo fora de ti, repleto de oportunidades, de conexões, de vínculos a serem construídos, e daí então verás o quanto é divino viver.




[1] ARISTÓTELES. Metafísica. São Paulo: Abril S.A. Cultural, 1984.
[2] LELOUP, Jean Yves. Amar... apesar de tudo. Encontro com Marie de Solenne. Campinas, São SP: Versus, 2002.









terça-feira, 27 de junho de 2017

TRANSPONDO MONTANHAS

Por Tiago Navarro

Nem sempre encontraremos ao longo do nosso percurso, apenas pedras a superar. Em alguns momentos essas pedras terão proporções monumentais, grandes paredões rochosos, imensos altiplanos.

Caso não tenhamos uma fé robusta, capaz de racionalizar de que se trata apenas de uma pedra em maiores dimensões que iremos transpor com a mesma serenidade, cairemos no desespero de acreditar não sermos capazes.

Por hábito das experiências anteriores, cremos que as pequenas pedras, são facilmente transpostas, pois, elas, no máximo, incomodarão a sola de nossos pés ou nos fará torcer um dos nossos tornozelos, e nos por ao chão, quando muito causando um desequilíbrio, mas, de qualquer forma, no final das contas, iremos transpô-la.

Já no caso da montanha, nos é exigido uma maior disciplina mental. Primeiro, a subida até o cume dela é demorada e cansativa. Corremos o risco de até perdermos temporariamente a nossa respiração. Segundo, não temos a menor noção do que iremos encontrar no topo desta montanha. E terceiro, último, e provavelmente a pior parte, ter de descer essa montanha.

O cenário, lógico, provoca-nos muito medo, apreensão e desânimo. Por isso se faz imprescindível a prática mental da crença, que nos proporciona uma fé robusta, racional e inabalável. Desta maneira, nos preparamos previamente para suportamos os revezes da vida, criando visualizações otimistas de como seremos capazes de transpor as montanhas que se apresentarão nas nossas vidas, de condução lúcida e magistral, sem espetáculos de atos sobre-humanos, apenas, entendendo que a dificuldade que surgir deverá se vivenciada e superada, extraindo o máximo de informações daquela oportunidade única.








quarta-feira, 14 de junho de 2017

Envelhecer

Por Tiago Navarro

É chegado o grande momento áureo, o momento da completude física e social, o tempo que comumente chamamos “melhor idade”. A época da vida que acreditamos ser de repouso físico, o descanso merecido de duras lutas travadas por décadas. E o momento em que trocaremos de lugar com nossos filhos.

Após o tempo do plantio, há o momento da colheita. Para algumas culturas de subsistência, esse período sofre variações, mas o que há de mais concreto, é o efeito desta causa, o que se planta há de se colher. A colheita, por fim, é uma obrigação a quem plantou, inexorável lei natural, imutável em sua essência.

Como nossa percepção do mundo se torna mais aguçada quando utilizamos de ferramentas comparativas, temos ao nosso dispor as parábolas agrícolas do mestre nazareno, bem como os arquétipos linguísticos bastante utilizado pelos pensadores. Nessas duas estruturas de ensinamento, compreensão e estruturações lógicas, podemos utilizar ao nosso proveito para entendermos a relação filial para com os pais idosos.

Estes pais que em outrora dedicaram todas as suas forças, todo seu tempo, e se privaram de todas as demais possibilidades, para nutrirem suas crias, não só com o leite materno, no caso das mães, como também com a nutrição espiritual, dedicando o máximo esforço para contribuírem com o desenvolvimento ético-moral, com ensinamentos louváveis para esses pequenos seres em construção.

Nos acostumamos a ver em nossos pais, seres fortes, aguerridos, e com poderes a nós desconhecidos. Normal enquanto nossa visão se limita a necessidade de preenchimento de nossas necessidades. Porém, na velhice, essa relação de subsistência se inverte, nossos pais, agora são os portadores da necessidade de serem nutridos. Não só a nutrição alimentar, mas, com a nutrição mais importante que foi imposta aos seres humanos - a nutrição afetiva. Todos nós precisamos de afeto e atenção, não há de se entender que seja a atenção de visitas periódicas, que mais abrandam a culpa do abandono, do que a dignificação desde ser que cedeu a própria vida para permitir que as nossas vidas se desenvolvessem.

Sim, as nossas “crianças” idosas, precisam de muito afeto, não por uma simples compensação, mas, por se encontrarem em uma situação bastante peculiar – é chegada a hora da perda de suas forças físicas, da perda do papel de importância na vida de seus filhos, da limitação de suas ações e autonomias. Se não nos preocuparmos com eles neste momento, provavelmente será muito tarde, quando eles já não estiverem entre nós. Por isso irmãos, vamos fazer o máximo que estiver ao nosso alcance, amando-os de todo o nosso coração, e com o amadurecimento emocional verdadeiro, esquecendo magoas e ingratidões, pois, muitas das vezes, foram fruto de nossos desejos de termos pais, que não correspondiam com nossa realidade.

Lembremos, “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. ”











segunda-feira, 5 de junho de 2017

Inquietar-se pela mudança

Por Tiago Navarro

De forma habitual, buscamos a segurança em todas as instâncias de nossas vidas. Segurança financeira, afetiva, física e espiritual. Essa busca é válida quando é fundamentada na necessidade de nos mover, para aperfeiçoarmos valores que consideramos frágeis ou desnecessários. Porém, em alguns casos, nos apegamos a essa segurança pelo simples fato de temermos o que virá após essa transformação.

Um exemplo desse processo é a busca por uma melhor qualidade de vida. Temos em nossa sociedade alguns institutos catedráticos que dedicam horas em pesquisas, na busca de normatizar o que seria a qualidade de vida necessária a cada um de nós. A partir desse padrão pré-estabelecido, partirmos para atingir esta meta almejada. Dedicamos horas e esforços até que, quase invariavelmente, chegamos à conclusão de que ficou faltando algo ao final do percurso.

Essa lacuna quase sempre é preenchida por um outro esforço, ainda mais árduo, e muito mais recompensador. Nesta década, surgiu um movimento denominado "Minimalismo", onde a base filosófica estabelece o uso consciente dos bens de consumo, se desapegar de todo e qualquer bem que não tenha serventia, como por exemplo, móveis, roupas, utensílios domésticos, que em 3 meses não tiveram um uso considerável; ou ainda, possuir carros que atendam a necessidade de locomoção e não para definir status social.

Nas passagens neotestamentárias, encontramos recorrentemente a figura dos Fariseus e Saduceus confrontando Jesus, porque consideravam um perigo os ensinos do nazareno. Podemos, a título didático, atualizar as personagens dessas passagens, onde os Fariseus e os Saduceus seriam, respectivamente, os políticos e grandes empresários, ditando regras, impondo metas, alimentando disputas de poder, e levando a sociedade a trocar seus direitos por deveres, impedindo que o povo hebreu pudesse exercer a liberdade de escolha e praticar a força do querer; e do outro lado, Jesus seria o "minimalista", propondo ao seu povo um despertar sobre a necessidade de acumular bens, repensar a importância do ter em detrimento do ser, trazendo um convite ao desapego da matéria.

Esse é um típico movimento que nos chama a atenção para o modelo econômico, de consumo, e de convivência no planeta; a repensarmos o quanto estamos dando importância à necessidade de termos em detrimento de sermos. A experiência de nos humanizar – informações espirituais, ainda estamos iniciando o processo de nos humanizar, no aperfeiçoamento dos instintos em emoções e das sensações em sentimentos – é feita de experimentações, reflexões, e retorno às experimentações. Quando, em algum momento da nossa vida, sentimos a necessidade de tentar entender o que significa este vazio que sentimos, será um belo passo para compreender para onde estamos a trilhar.

Estamos em constante trânsito; sempre nos deslocando de um ponto a outro, de um estado a outro, faz parte do processo de amadurecimento mental, espiritual. E justamente neste processo de transição, somos convidados a pensar o quanto é primaz trocar o porvir pela segurança conquistada. Não proponho dizer "sim" a tudo que nos chega, não. Proponho uma postura espírita, de fato e ato. Do que adianta tanto estudo e tanta palestra, se não somos capazes de adquirirmos autonomia, poder de introjeção e decisão para produzirmos novos valores, que nos habilitará a escolher entre a esperança de atingir metas através de valores que ainda não possuímos e, em contrapartida, a fé de atingir as mesas metas através de valores que já temos noção possuir.

Toda vez que um mentor, um guia, ou um dirigente nos diz que é indispensável estudarmos, na verdade, não é um pedido para nos tornarmos intelectuais, catedráticos ou esnobes pensadores espíritas; na realidade, o desejo deles é que possamos descortinar nossas mentes, aclarando nossas ideias e pensamentos para uma visão generalista e abrangente, olvidando a extensão universal, possibilitando ver o outro como nos vemos, e que esse olhar interno seja de amor em movimento, indulgência e benevolência.




segunda-feira, 22 de maio de 2017

Como falar ou o que falar para alguém que já perdeu toda a perspectiva de ser, humano?


Por Tiago Navarro

Outro dia me fizeram esta pergunta, e confesso que não soube o que responder; pensei em várias coisas, analisei vários aspectos, mas nada julguei coerente para aquela situação. Primeiro, o contexto da indagação – quando a outra pessoa tem uma forma de pensar próxima da minha, ou quando possui um credo semelhante ao meu, com certeza é extremamente favorável dar-lhe algum consolo; segundo, e não menos importante, é bem provável que a pessoa não quisesse um aconselhamento, talvez quisesse apenas ser escutada.

Achei por bem considerar a segunda possibilidade – a pessoa queria ser ouvida. Tenho notado a crescente quantidade de pessoas que estão ansiando por “ouvidos de ouvir”, saca, aquele “ombro amigo” de fato, com todas as letras, que não questione as nossas resoluções, nem diminua nossas autorregulações. Deve ser por isso que nas rodas de amigos, nas conversas informais nas mesas de bares, e até nos “hoje vai chover” dos elevadores, 2/3 das pessoas comentem estarem frequentando consultórios de psicanalistas, psicoterapeutas, terapeutas, ashrams budistas e/ou hinduístas, casas espiritas, igrejas das mais diversas denominações ou até mesmo compartilhando suas vivências com amigos das redes sociais, ou aquelas páginas de buscadores/despertadores do Instagram, enfim, qualquer meio que possibilite alguma abertura para atender essa demanda.

Voltando à questão do contexto, na hora pensei no caso das pessoas que vivenciam terríveis humilhações no ambiente de trabalho, que sofrem verdadeiras degradações morais por parte de seus patrões, e que, em vários momentos não recebem qualquer tipo de suporte para perceber a situação, ou para se desvencilhar dessas ocorrências; também pensei nos casos de relacionamentos abusivos, onde a humilhação por uma presunção de superioridade, de gênero, de condição financeira, de crença religiosa, ou qualquer outra identificação limitante, tem uma ocorrência assustadora, e quase sempre com desfechos aterrorizantes; quando não por relações mal construídas, por relações que se encontram mal “regulamentadas” ou com percepções distorcidas entre os envolvidos – onde um acredita estar em um relacionamento, ou algo que se aparente como tal, e o outro acredita não estar integrando nenhum tipo de relacionamento; é, as vezes, difícil termos esta consciência de como as coisas são percebidas pelo outro; e com isso, nos conduzimos, e conduzimos as outras pessoas à situações, de um todo indesejável.

Sim, não acredito que coisas assim sejam totalmente premeditadas; acredito que são crenças, ou percepções um tanto quanto limitadas na abrangência dos fatos. Seria algo, do tipo, a minha visão de mim mesmo está confinada a olhar a minha rua pela janela da minha casa, e por isso, eu acredito que isto é a totalidade do que posso entender, através dos meus cinco sentidos, a minha percepção do todo. Então, um dia, recebo um convite para sair de casa, e então percebo que pertenço a algo chamada “rua”, a algo chamado “bairro”, e se tiver muita sorte consigo descobrir que as ruas e bairros fazem parte de algo ainda maior – “a cidade”. Enquanto me mantiver circunscrito à essa visão pequena do meu ser, tratarei o próximo da única maneira que conheço, negando a existência de outras ideias, visões, fatos, relatos, e só aceitando o que me é tangível, real e verdadeiro.

Portanto, se pudesse responder agora, mesmo atrasado, lhe diria isso:
O momento pode ser difícil, o fardo da situação pode ser extremamente pesado, mas saiba, que ainda assim, há um caminho para sair desse labirinto.
Como quem te agride, te agride por ainda ter uma visão limitada de si mesmo, você tem se agredido por – inconscientemente – compartilhar da mesma cegueira (mesmo te incomodando muito sofrer todo esse sofrimento).
No momento que você perceber que – o que você é ou que você acredita estar destinada vir a ser – não é isso (a sensação de não ser mais humano), ou que esta pessoa que você tem visto em frente ao espelho ao longo de todo esse tempo, não te representa, é sinal que você recebeu o convite para dar uma volta em torno da sua situação.
Você perceberá que há outras coisas ao seu redor, outras possibilidades, outras pessoas, outras circunstancias, e que tudo isso possui belezas próprias, e momentos justos de se manifestarem. 
E por fim, deixo contigo um trecho de uma mensagem de Emmanuel por Chico Xavier,

“... guardemos a certeza, pelas próprias dificuldades já superadas, que não há mal que dure para sempre. ”



terça-feira, 2 de maio de 2017

INFLUÊNCIAS DE PENSAMENTOS

Por Tiago Navarro

“Quando o pensamento está em alguma parte, a alma também aí está, pois que é a alma quem pensa. O pensamento é um atributo.” (...)”Não pode haver divisão de um mesmo Espírito; mas cada um é um centro que irradia para diversos lados. Isso é que faz parecer estar um Espírito em muitos lugares ao mesmo tempo. Vês o Sol? É um somente. No entanto, irradia em todos os sentidos e leva muito longe os seus raios. Contudo, não se divide.” (...)”Essa força depende do grau de pureza de cada um.”(O Livro dos Espíritos, 2ª Parte, capitulo 1, Questões 89 e 92.)




Como foi dito por Kardec, “Cada Espírito é uma unidade indivisível, mas cada um pode lançar seus pensamentos para diversos lados (...) Dá-se com eles o que se dá com uma centelha, que projeta longe a sua claridade e pode ser percebida de todos os pontos do horizonte; ou, ainda, o que se dá com um homem que, sem mudar de lugar e sem se fracionar, transmite ordens, sinais e movimento a diferentes pontos”, deste modo, o pensamento se irradia a distâncias ilimitadas, porém, como vivemos numa realidade material, nos limitamos às percepções físicas, e isso nos restringe a compreender somente alguns metros desse pensamento.

Um espírito mais evoluído[i] conseguirá compreender o pensamento em maior extensão. Seria o mesmo que observar a terra da lua, os continentes perderiam suas delimitações, e passariam a ser um grande todo. Acontece o mesmo com o nosso pensamento. Os 5 sentidos nos fazem acreditar que ele é fragmentário, personalizado às nossas limitações, e que o outro deve sempre se adequar a quem somos.

“O pensamento é, sem dúvida, força criadora de nossa própria alma e, por isto mesmo, é a continuação de nós mesmos. Através dele, atuamos no meio em que vivemos e agimos, estabelecendo o padrão de nossa influência, no bem ou no mal.“ [ii].

Enquanto encarnados, vivenciamos um grande dilema – até que ponto o que pensamos, o que tomamos como verdade, ou o que acreditamos serem opiniões nossas, são de fato, produções pessoais? Asseveram os espíritos, que “Quando um pensamento vos é sugerido, tendes a impressão de que alguém vos fala. Geralmente, os pensamentos próprios são os que acodem em primeiro lugar. Mas, afinal, não vos é de grande interesse estabelecer essa distinção. Muitas vezes, é útil que não saibais fazê-la. Não a fazendo, obra o homem com mais liberdade. Se se decide pelo bem, é voluntariamente que o pratica; se toma o mau caminho, maior será a sua responsabilidade.” [iii]

Essa é uma problemática que não diz respeito apenas aos médiuns ostensivos, e aos trabalhos mediúnicos, mas todos os que aqui estão encarnados podem perceber essas influenciações de pensamentos. Quantos de nós já não acreditou que, para se enquadrar em algum grupo ou conquistar algum espaço na sociedade, teríamos que passar a testemunhar algum pensamento que não fosse o nosso? Vivemos em um momento onde precisamos definir e defender qual o pensamento que adotamos, se gostamos de A ou B, se queremos que a opinião pública de um lado ou do outro seja absoluta e se torne prevalecente, se queremos morar com nosso pai ou nossa mãe, se é melhor comprar uma casa ou aluga-la, se já é hora de trocar de carro, ou continuar com o seminovo. A quantidade de pensamentos que nos influenciam é enorme, mas nunca perguntamos se já não é hora de combate-los.

“Esta influência é de todos os instantes e mesmo os que não se ocupam com os Espíritos, ou até não creem neles, estão expostos a sofrê-la, como os outros e mesmo mais do que os outros, porque não têm com que a contrabalancem.” (...)”A quantos atos não é o homem impelido, para desgraça sua, e que teria evitado, se dispusesse de um meio de esclarecer-se! Os incrédulos não imaginam enunciar uma verdade, quando dizem de um homem que se transvia obstinadamente: ‘É o seu mau gênio que o impele à própria perda.’ Assim, o conhecimento do Espiritismo, longe de facilitar o predomínio dos maus Espíritos, há de ter como resultado, em tempo mais ou menos próximo, e quando se achar propagado, destruir esse predomínio, dando a cada um os meios de se pôr em guarda contra as sugestões deles. Aquele então que sucumbir só de si terá que se queixar.” [iv]

O grande objetivo da reforma de pensamentos proposta pela doutrina espírita, era e é, justamente, a necessidade eminente de nos conhecermos, de maneira integral, e sem martírios, acessando conteúdos até então ignorados, e/ou negligenciados, para romper o vínculo ”vítima-algoz”, que nos faça despertar o senso de que coabitamos um planeta, e que cada pensamento nosso, e cada ação nossa, repercute em todas as individualidades deste planeta. Neste descortinar de mentes, foi dito pelos Espíritos à Kardec, que o homem, em sua marcha ascensional, precisaria progredir em dois aspectos – na inteligência e na moral, onde o progresso moral “Decorre deste, o progresso intelectual, mas nem sempre o segue imediatamente. Onde o progresso intelectual engendraria o progresso moral, fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos. O progresso completo constitui o objetivo. Os povos, porém, como os indivíduos, só passo a passo o atingem. Enquanto não se lhes haja desenvolvido o senso moral, pode mesmo acontecer que se sirvam da inteligência para a prática do mal. A moral e a inteligência são duas forças que só com o tempo chegam a equilibrar-se.” [v]

A partir do momento que vamos percebendo nossas limitações e reconhecendo nossa necessidade de transformação, passamos a usufruir da possibilidade de captar de forma intuitiva porções menos customizadas dos pensamentos emanados ao nosso redor. Pois, “Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinem a concórdia, a paz, a fraternidade. Será ele que deitará por terra as barreiras que separam os povos, que fará caiam os preconceitos de casta e se calem os antagonismos de seitas, ensinando os homens a se considerarem irmãos que têm por dever auxiliarem-se mutuamente e não destinados a viver à custa uns dos outros. Será ainda o progresso moral que, secundado então pelo da inteligência, confundirá os homens numa mesma crença fundada nas verdades eternas, não sujeitas a controvérsias e, em consequência, aceitáveis por todos. A unidade de crença será o laço mais forte, o fundamento mais sólido da fraternidade universal, obstada, desde todos os tempos pelos antagonismos religiosos que dividem os povos e as famílias, que fazem sejam uns, os dissidentes, vistos, pelos outros, como inimigos a serem evitados, combatidos, exterminados, em vez de irmãos a serem amados.” [vi]

Esse é o nosso desafio enquanto seres imortais, experienciando existências materiais – estar nela para poder encontrar caminhos que nos impulsionem à frente, aos destinos estabelecidos na nossa criação.






[i]                 A classificação dos Espíritos se baseia no grau de adiantamento deles, nas qualidades que já adquiriram e nas imperfeições de que ainda terão de despojar-se. Essa classificação, aliás, nada tem de absoluta. Apenas no seu conjunto cada categoria apresenta caráter definido. De um grau a outro a transição é insensível, nos limites os matizes se apagam, como nos reinos da Natureza, como nas cores do arco-íris, ou, também, como nos diferentes períodos da vida do homem. Podem, pois, formar-se maior ou menor número de classes, conforme o ponto de vista donde se considere a questão. Dá-se aqui o que se dá com todos os sistemas de classificação científica, que podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos para a compreensão. Sejam, porém, quais forem, em nada alteram o fundo da ciência. Assim, é natural que inquiridos sobre este ponto, hajam os Espíritos divergido quanto ao número das categorias, sem que isso tenha nenhuma consequência. Entretanto, não faltou quem se agarrasse a esta contradição aparente, sem refletir que os Espíritos nenhuma importância ligam ao que é puramente convencional. Para eles, o pensamento é tudo. Deixam-nos a nós a forma, a escolha dos termos, as classificações, numa palavra, os sistemas. (Questão 100 de O Livro dos Espíritos, 2ª Parte, Capítulo 1).
[ii]                 LibertaçãoAndré Luiz por Francisco Cândido Xavier, pag. 218.
[iii]                Questão 461 de O Livro dos Espíritos, 2ª Parte, Capítulo 9.
[iv]                Questão 244 de O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, Capítulo 23.
[vi]                Item 19 de A Gênese, Capítulo 18.