quinta-feira, 14 de junho de 2012

DOUTRINA ESPÍRITA E RACISMO


Por Sergio Aleixo
Escritor e palestrante espírita. Vice-presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo do Rio de Janeiro.


Uma causa com certos tipos de amigos não precisaria de inimigos. Reduzir o nível de oportunidade do Espiritismo ao seu aspecto moral é mal conhecê-lo. A isso já bem respondera Kardec em seu artigo O Que Ensina o Espiritismo, no qual prova que, fora do ensinamento puramente moral, os resultados do Espiritismo não são tão estéreis quanto pretendem alguns.[1] O mestre lhes é, por isso, um incômodo permanente, razão pela qual sempre buscam levantar-lhe fraquezas, a fim de tentarem minar o poder que sua obra, e só ela, tem de conferir ao Espiritismo unidade consistente, afastando-o das propostas em que vale quase tudo se em nome do “amor”. O pretenso erro mais levianamente explorado é o suposto racismo de Kardec. Mas como poderia ser propriamente um racista alguém que escreveu, por exemplo, isto:

[...] o Espiritismo, restituindo ao espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, faz que desapareçam, naturalmente, todas as distinções estabelecidas entre os homens, conforme as vantagens corporais e mundanas, sobre as quais só o orgulho fundou as castas e os estúpidos preconceitos de cor.[2]
[...] do estudo dos seres espirituais ressalta a prova de que esses seres são de natureza e de origem idênticas, que seu destino é o mesmo, que todos partem do mesmo ponto e tendem para o mesmo objetivo; que a vida corporal não passa de um incidente, uma das fases da vida do espírito, necessária ao seu adiantamento intelectual e moral; que em vista desse avanço o espírito pode sucessivamente revestir envoltórios diversos, nascer em posições diferentes, chega-se à consequência capital da igualdade de natureza e, a partir daí, à igualdade dos direitos sociais de todas as criaturas humanas e à abolição dos privilégios de raças. Eis o que ensina o Espiritismo.[3]


Porém, deve-se considerar que, no século 19, o conceito de raça tinha statusde ciência, sendo a chamada branca, ou caucásia, tida e havida por superior. Naturalistas e até abolicionistas pensavam assim. O mais polêmico de todos os escritos pinçados por detratores de Kardec sequer foi por ele publicado, em que dizia a certa altura:

O negro pode ser belo para o negro, como um gato é belo para um gato; mas, não é belo em sentido absoluto, porque seus traços grosseiros, seus lábios espessos acusam a materialidade dos instintos; podem exprimir as paixões violentas, mas não podem prestar-se a evidenciar os delicados matizes do sentimento, nem as modulações de um espírito fino.[4]

No entanto, omite-se o parágrafo seguinte, em que a pretensa condição superior daquela geração foi duramente relativizada pelo mestre espírita, dando prova de que se tratava, nele, não de preconceito ou discriminação, mas de uma inferência impregnada da opinião científica daquele momento, tipicamente eurocêntrico:

Daí o podermos, sem fatuidade, creio, dizer-nos mais belos do que os negros e os hotentotes. Mas, também pode ser que, para as gerações futuras, melhoradas, sejamos o que são os hotentotes com relação a nós. E quem sabe se, quando encontrarem os nossos fósseis, elas não os tomarão pelos de alguma espécie de animais.[5]

Argumenta um irmão em Espiritismo que o erro foi Kardec ter usado um exemplo contemporâneo. Se escrevesse “homens de Neanderthal” em vez de “negros e hotentotes”, nada se diria. Concordo. Ou será que o trabalho dos espíritos não aprimora os instrumentos de que se servem ao longo de milênios? Isso, claro, não tem valor pontual. Uma pessoa “feia” não é dona, a priori, de um espírito involuído, nem uma pessoa “bonita” é a encarnação de um espírito necessariamente avançado. Kardec defendia, antes de tudo, que a evolução dos espíritos opera a evolução dos corpos; ou serão mesmo casuais as mutações adaptativas? Parte alguma têm os espíritos nisso?


10. [...] o corpo é simultaneamente o envoltório e o instrumento do espírito e, à medida que este adquire novas aptidões, reveste um envoltório adequado ao novo gênero de trabalho que deve realizar, assim como se dá a um operário ferramentas menos grosseiras, à medida que ele é capaz de fazer uma obra mais delicada.
11. Para ser mais exato, é preciso dizer que é o próprio espírito que modela o seu envoltório, adequando-o às suas novas necessidades. Ele o aperfeiçoa, desenvolve e completa o seu organismo à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades; em uma palavra, ele o talha de acordo com a sua inteligência. Deus lhe fornece os materiais, cabendo a ele empregá-los. É assim que as raças mais adiantadas têm um organismo, ou, se preferirem, uma ferramenta mais aperfeiçoada do que as raças mais primitivas. Assim também se explica o cunho especial que o caráter do espírito imprime aos traços fisionômicos e às linhas do corpo [...]
15. [...] Corpos de macacos podem muito bem ter servido de vestimenta aos primeiros espíritos humanos, necessariamente pouco adiantados, que tenham vindo encarnar na Terra, essas vestimentas foram as mais apropriadas às suas necessidades e mais adequadas ao exercício das suas faculdades que o corpo de qualquer outro animal. Ao invés de ser feita uma vestimenta especial para o espírito, ele teria achado uma pronta. Vestiu-se então da pele do macaco, sem deixar de ser espírito humano, assim como o homem, não raro, se veste com a pele de certos animais sem por isso deixar de ser homem.
16. [...] pode-se dizer que, sob a influência e por efeito da atividade intelectual do seu novo habitante, o envoltório se modificou, embelezou-se nos detalhes, conservando sempre a forma geral do conjunto. Os corpos aperfeiçoados, ao se procriarem, reproduziram-se nas mesmas condições [...][6]


Outra objurgatória é a que costuma atingir o presidente espiritual da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas: São Luís. Antes de tudo, saiba-se que, na S.P.E.E., era frequente os guias se comunicarem por médiuns distintos e em épocas diferentes. A resposta de São Luís pode ter sido vazada na forma infracitada por imperfeição do trabalho de um só desses médiuns. Seria precipitado malsinar o espírito com base nessa única situação, sem evidência de isso corresponder, nele, a um padrão inferior qualquer.
Na evocação do “negro Pai César”,[7] além do mais, o médium atua como intermediário de dois espíritos: São Luís, que auxilia nas respostas, e Pai César, submetido a essa ajuda. Existe a possibilidade de o médium não ter filtrado bem os recados, ou os ter entrecruzado. A opinião, ao demais, de que a brancura conferia superioridade é, ali, não de São Luís, mas do Pai César, e ainda assim, não por conta da cor branca em si, mas das relações de poder naquela sociedade.
O espírito chega a dizer que estava mais feliz que na Terra porque seu espírito não era mais negro; isto é, por não estar mais sujeito às humilhações aqui sofridas, não sendo o espírito rico ou pobre, homem ou mulher, velho ou criança, negro ou branco. Todavia, numa inesperada inferência, dada sua condição, afirmou o Pai César que os brancos eram orgulhosos de uma “alvura” de que não eram a causa. Parece mais São Luís, aí, do que Pai César.
De qualquer forma, causa estranhamento a resposta ao n. 9: “[A São Luís]. – A raça negra é de fato uma raça inferior? Resp. – A raça negra desaparecerá da Terra. Foi feita para uma latitude diversa da vossa”.[8] Agora já pareceu mais Pai César algo frustrado com sua encarnação anterior do que São Luís, o qual responde assim à última pergunta de Kardec:


12. [A São Luís]. – Algumas vezes os brancos reencarnam em corpos negros? Resp. – Sim. Quando, por exemplo, um senhor maltratou um escravo, pode acontecer que peça, como expiação, para viver num corpo de negro, a fim de sofrer, por sua vez, o que fez padecer os outros, progredindo por esse meio e obtendo o perdão de Deus.[9]


Não há muito, apareceu “Nota Explicativa” da Federação Espírita Brasileira repelindo qualquer possibilidade de inferência discriminatória ou preconceituosa na doutrina espírita bem entendida; motivada foi, contudo, por atuação do Ministério Público Federal. A F.E.B., data venia, sempre foi mais dedicada a consignar notas que contestem Kardec, como a que corresponde à Gênese, XV, 66, na qual defende o rustenismo no momento mesmo em que Kardec o sepultava. Eis, pois, a nota da F.E.B. ao título da “Nota Explicativa”, esclarecendo a situação da feitura da peça:


Nota da Editora: Esta “Nota Explicativa”, publicada em face de acordo com o Ministério Público Federal, tem por objetivo demonstrar a ausência de qualquer discriminação ou preconceito em alguns trechos das obras de Allan Kardec, caracterizadas, todas, pela sustentação dos princípios de fraternidade e solidariedade cristãs, contidos na Doutrina Espírita.[10]


Dada a relevância do assunto, todavia, é de se lamentar que as referências das citações da Revista Espírita nessa Nota Explicativa febiana hajam sido registradas algo descuidadamente. Das cinco citações diretas da Revista, nenhuma é vinculada ao tópico a que corresponde e só duas indicam o mês, o que dificulta sobremodo encontrá-las, e às demais, nos volumes de outras editoras. Por sinal, um dos textos foi reproduzido sem menção ao número de sua página nas edições da própria F.E.B. e, ainda, reportando-se ao mês errado. Onde se lê: “janeiro de 1863”, leia-se: “p. 87, fevereiro de 1863”:


Nós trabalhamos para dar a fé aos que em nada crêem; para espalhar uma crença que os torna melhores uns para os outros, que lhes ensina a perdoar aos inimigos, a se olharem como irmãos, sem distinção de raça, casta, seita, cor, opinião política ou religiosa; numa palavra, uma crença que faz nascer o verdadeiro sentimento de caridade, de fraternidade e deveres sociais.[11]


Outro escrito significativo de Kardec a respeito é o que passo a transcrever na sua íntegra, sem negligenciar o parágrafo final, inexistente nas edições febianas e congêneres e, por conseguinte, na sua citação constante da Nota Explicativa da F.E.B.:


Com a reencarnação desaparecem os preconceitos de raças e de classes, pois que o mesmo espírito pode renascer rico ou pobre, grande senhor ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. De todos os argumentos invocados contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher à lei do mais forte, nenhum há que supere em lógica o fato material da reencarnação. Se, pois, a reencarnação fundamenta sobre uma lei da natureza, o princípio da fraternidade universal, ela fundamenta sobre a mesma lei o princípio da igualdade dos direitos sociais e, por consequência, o da liberdade.
Os homens só nascem inferiores e subordinados pelo corpo; pelo espírito eles são iguais e livres. Daí o dever de tratar os inferiores com bondade, benevolência e humanidade, porque aquele que hoje é nosso subordinado pode ter sido nosso igual ou nosso superior, pode ser um parente ou um amigo, e nós, por nossa vez, podemos vir a ser o subordinado daquele que hoje comandamos.[12]


Portanto, a acusação de racismo a Kardec e ao Espiritismo nunca poderá superar o vício do anacronismo. Sob esse ponto de vista, Kardec não seria mais racista do que qualquer europeu de seu tempo, porém, com esta vantagem soberba: se os erros da ciência de época o autorizaram a crer em raças primitivas e que podemos nascer inferiores e subordinados pelo corpo, a isso nunca deixou de contrapor a medida libertária do pensamento espírita, isto é, pelo espírito somos iguais e livres, não somos homens ou mulheres, crianças ou velhos, ricos ou pobres, brancos ou negros, o que o acabou levando à defesa contundente, como se viu, da igualdade dos direitos sociais de todas as criaturas humanas e da abolição dos privilégios de raças.
Com os avanços da biogenética, demonstrado está não existirem genes raciais na espécie humana. Somos, claro, mais evoluídos biologicamente que nossos ancestrais antropoides. Esta, a única evolução, aliás, admitida pela ciência. Caso se fale numa evolução espiritual, moral, ou mesmo cultural, é-se ignorado ou repreendido, porque o espírito, ou a reencarnação, ainda são irrelevantes para a ciência, assim como Deus. Entretanto, espíritas por definição, não podemos falar e pensar como agnósticos, ateus, materialistas, niilistas. Se, por um lado, o Espiritismo nos impõe acompanhar a ciência naquilo que particularmente a esta diz respeito, é-nos interdito negligenciar o próprio Espiritismo no que a este compete exclusivamente.

Por isso, dizemos hoje, os espíritas, que não há raças humanas, menos ainda inferiores ou superiores, de comum acordo nisto com a ciência, mas igualmente afiançamos que, sim, os espíritos, mediante a reencarnação, constituem os artífices da evolução biológica. As mutações que findam por selecionar os mais aptos não são casualmente adaptativas. Como dizia o mestre espírita por excelência: “Um acaso inteligente já não seria acaso”.[13]





[1] Revista Espírita. Ago/1865.
[2] Revista Espírita. Out/1861. Discurso do Sr. Allan Kardec. F.E.B., 2007, 3.ª ed., p. 432.
[3] Revista Espírita. Jun/1867. Emancipação das Mulheres nos Estados Unidos. F.E.B., 2007, 2.ª ed, p. 231.
[4] Obras Póstumas. Teoria da Beleza. F.E.B., 2002, 32.ª ed., p. 168.
[5] Id., ibid. Grifo meu.
[6] KARDEC. A Gênese, XI. Léon Denis Gráfica e Editora, 2008, 2.ª ed., pp. 235/36 e 237.
[7] No francês: “le nègre Pa César”.
[8] Revista Espírita. Jun/1859. O negro Pai César. F.E.B., 2007, 3.ª ed., p. 245.
[9] Id., ibid.
[10] Revista Espírita. ANO I. 1858. F.E.B., 2009, 4.ª ed., p. 537.
[11] KARDEC. Revista Espírita. Fev/1863. A Loucura Espírita. F.E.B., 2007, 3.ª ed., p. 87.
[12] KARDEC. A Gênese, I, 36. Léon Denis Gráfica e Editora, 2.ª ed., 2008. Com base na 4.ª ed. francesa.
[13] O Livros dos Espíritos. Comentário ao n. 8.

terça-feira, 12 de junho de 2012

DESENCARNAÇÃO E DESPRENDIMENTO

Por Sergio Aleixo
Escritor e palestrante espírita. Vice-presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo do Rio de Janeiro.

Morte é para o corpo; desencarnação, para o espírito. Essas palavras, contudo, equivalem-se. Por isso se diz que fulano desencarnou, em vez de se dizer que morreu. Espíritas, somos cientes de que a separação entre alma e corpo raramente é instantânea, donde passarmos, às vezes, dessa equivalência a uma diferença nada técnica entre morte e desencarnação. Explico-me. Confrontando os originais, vê-se que Kardec utilizou o substantivo désincarnation apenas duas vezes, por mais que os tradutores o tenham feito aparecer, e a formas do verbo désincarner, onde nunca estiveram. Demonstro-o.
Em O Livro dos Espíritos, por exemplo, nenhuma vez ocorre o substantivo desencarnação (désincarnation), o verbo desencarnar (désincarner), em qualquer de suas formas, nem mesmo o particípio passado/adjetivo desencarnado (désincarné). Kardec, ali, se refere ao encarnado (incarné), reencarnado (reincarné) e não encarnado ou errante (non incarné ou errant), isto é, liberto, desprendido ou desembaraçado do corpo (dégagé du corps). Os tradutores febianos é que sempre ousam mais...
Se não, vejamos. 
O Livro dos Espíritos: (1) nota ao n. 188: “Une personne décédée”; i. é: “Uma pessoa falecida”. Guillon Ribeiro: “um Espírito que desencarnara”; Evandro Noleto Bezerra: “um Espírito que havia desencarnado”. Herculano Pires: “Uma pessoa falecida”. 
(2) n. 257: “pendant les premiers instants, l'Esprit”; i. é: “durante os primeiros instantes, o Espírito”. G. R.: “durante os primeiros minutos depois da desencarnação, o Espírito”. E. N. B.: “Durante os primeiros instantes, o Espírito”. H. P.: “Nos primeiros instantes, o Espírito”. 
(3) n. 339: “sortie du corps”; i. é: “saída do corpo”. G. R. e E. N. B.: “ao desencarnar”; H. P.: “desencarnação”. 
(4) n. 399: “l'état d'Esprit” e “l'état d'incarnation”; i. é: “o estado de Espírito” e “o estado de encarnação”. G. R. e E. N. B.: “quando desencarnado” e “quando encarnado”. H. P.: “no estado de Espírito” e “no estado de encarnado”. 
(5) n. 402: “à leur mort”; i. é: “na sua morte”. G. R.: “desencarnando”; E. N. B.: “aodesencarnarem”. H. P.: “ao morrerem”. 
(6) n. 1014-a: “Esprits errants, ou nouvellement dégagés”; i. é: “Espíritos errantes, ou recentemente libertos”. G. R. e E. N. B.: “recém-desencarnados”; H. P.: “recentemente libertados”. 
(7) O Céu e o Inferno, parte II, cap. II: Sr. Sanson, numa nota Kardec escreve: “mais en raison de la mort récente de M. Sanson”, i. é: “mas em razão da morte recente do Sr. Sanson”. Manuel J. Quintão: “visto que o Sr. Sanson desencarnara recentemente”; H. P.: “mas em virtude da morte recente do Sr. Sanson”. 
(8) O Céu e o Inferno, parte II, cap. II: O Doutor Demeure, a certa altura escreve Kardec: “lendemain de sa mort”; i. é: “no dia seguinte ao de sua morte”. M. J. Q.: “da sua desencarnação”; H. P.: “da sua morte”, etc., etc. 
Essas ousadias ao menos indicam a equivalência entre morte e desencarnação.
Kardec chegou a usar, sim, o particípio/adjetivo desencarnado, o substantivo désincarnation, mas nunca o verbo desencarnar, o que coube, em volumes da Revista Espírita, aos espíritos Viennois (désincarnent), Lamennais (désincarne) e Clélie Duplantier (désincarnant).[1] 

Eis, portanto, os dois empregos substantivos do mestre:

Cada globo tem, de alguma sorte, sua população própria de espíritos encarnados e desencarnados, alimentada em sua maioria pela encarnação e desencarnação dos mesmos [Espíritos]. Esta população é mais estável nos mundos inferiores, pelo apego deles à matéria, e mais flutuante nos superiores.[2]

Tal é a alma durante a vida e depois da morte. Para ela há, portanto, dois estados: o de encarnação ou de constrangimento, e o de desencarnação ou de liberdade; em outras palavras: o da vida corporal e o da vida espiritual.[3]

No primeiro contexto, desencarnação opõe-se a encarnação, justamente como morte a nascimento; no segundo, é o estado de liberdade, de vida espiritual. Ora, désincarnation surgiu primeiramente numa correspondência publicada na Revista Espírita de setembro de 1863. No texto do missivista, lê-se: “désincarnation ou mort corporelle”, sinonímia que não mereceu de Kardec nenhum reparo.[4] As duas ocorrências substantivas restantes pertencem aos espíritos Demeure e Clélie Duplantier; em ambas, permanece o paralelismo com a palavra morte.

[...] quanto mais cedo se der a sua desencarnação, mais cedo poderá se dar também a reencarnação que lhe permitirá acabar a sua obra [...][5]
Em geral, sendo a população mauriciana inferior, do ponto de vista moral, a desencarnação não pode fazer do espaço senão um viveiro de espíritos muito pouco desmaterializados, ainda marcados por todos os seus hábitos terrenos, e que continuam, não obstante espíritos, a viver como se fossem homens.[6]
Quando, por outra, os espíritos e Kardec trataram da intimidade do processo quase sempre gradual da separação entre alma e corpo, ou seja, no suceder mesmo da morte e do pós-morte, não o fizeram sob os signos da palavra désincarnation, e sim do vocábulo dégagement: “desprendimento”.[7] E não sem motivos.
O princípio espírita é que “a vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo sem vida orgânica”.[8] Ora, após a morte, por mais demorado que o seja, o desprendimento “não implica”, segundo o mestre, “a existência no corpo de nenhuma vitalidade, nem a possibilidade de retorno à vida, mas a simples persistência de uma afinidade entre o corpo e o espírito, afinidade que está sempre na razão da preponderância que, durante a vida, o espírito deu à matéria.”[9]
O estado de encarnação, assim, pressupõe vitalidade corporal; a ausência desta caracteriza, por sua vez, o de desencarnação. O cadáver não pode estar mais ou menos morto; na mesma proporção, a alma não estará mais ou menosdesencarnada (désincarné), e sim mais ou menos livre, desprendida,desembaraçada (dégagé), situação bem distinta.

Ao ocorrer a cessação da atividade do princípio vital, o corpo não mais retéma alma, embora esta, não raro, é que insista em identificar-se à matéria inerte. Com a morte, não há mais, no corpo, nenhuma vitalidade, todavia pode existir, entre alma e corpo, alguma ou muita afinidade, o que gera pontos de contato entre o cadáver e o perispírito. Entretidas que eram essas ligações fluídicas apenas pela atividade do princípio vital, passam a ser mantidas por uma força de aderência que, agora só devida ao espírito, o retém identificado ao corpo, e não mais encarnado nele.[10]
Esses laços fluídicos podem gerar uma espécie de repercussão moral que transmite ao espírito a sensação do que se passa no corpo, muito embora, incontinenti, Kardec esclareça que “repercussão” não é o melhor termo, por dar a ideia de um efeito muito material àquilo que, antes, está mais para uma ilusão que o espírito toma como realidade. Ora, neste, as sensações não dependem mais deórgãos sensitivos; são gerais e não mais se devem a agentes exteriores.[11]

A desencarnação só se opera com a morte; o desprendimento, já durante a vida. A primeira depende da morte do corpo; o segundo, da elevação da alma. Durante a encarnação, é a vitalidade do corpo que prende a alma; depois da morte, é aafinidade da alma com a matéria que a identifica com o cadáver. Desse modo, morteequivale, sim, a desencarnação e antes difere, mais propriamente, dedesprendimento. Morto o corpo, o espírito está desencarnado, sem estar, porém, necessariamente desprendido.



[1] F.E.B., mai/1863, p. 222; out/1863, p. 429; abr/1869, p. 121.
[2] O Céu e o Inferno. Parte I, cap. III, n. 17. F.E.B., 2003, 51.ª ed., p. 37. Grifo meu, assim como o acréscimo da palavra “espíritos” entre colchetes. No original francês: “mêmes Esprits”.
[3] Revista Espírita. Jan/1866. A Jovem Cataléptica da Suábia. Estudo Psicológico. F.E.B., 2007, 2.ª ed., p. 41. Grifos meus.
[4] Questões e Problemas. Sobre a Expiação e a Prova. F.E.B., 2007, 3.ª ed., p. 366.
[5] O Céu e o Inferno. Parte II, cap. II. O Doutor Demeure. Trad.: J. Herculano Pires.
[6] Revista Espírita. Mar/1869. As Árvores Mal-Assombradas da Ilha Maurício. F.E.B., 2007, 2.ª ed., p. 122.
[7] O Livro dos Espíritos, 154 a 162. O Céu e o Inferno, Parte II, cap. I: Le Passage.
[8] O Livro dos Espíritos. 136-a. Grifos meus. Trad.: J. Herculano Pires.
[9] O Livro dos Espíritos. 155-a. Grifos meus. Trad. J. Herculano Pires.
[10] O Céu e o Inferno. Parte I, cap. I, ns. 4, 5, 10 e 11. No francês: “points de contact”; “force d'adhérence”; “liens fluidiques”.
[11] O Livro dos Espíritos, 257. No original: “[...] Dans le corps, ces sensations sont localisées par les organes qui leur servent de canaux. Le corps détruit, les sensations sont générales. […] la douleur n'est pas localisée et qu'elle n'est pas produite par les agents extérieurs: c'est plutôt un souvenir qu'une réalité […] il en résultait une sorte de répercussion morale qui lui transmettait la sensation de ce qui se passait dans le corps. Répercussion n'est peut-être pas le mot, il pourrait faire croire à un effet trop matériel […] Le périsprit, dégagé du corps, éprouve la sensation; mais comme elle ne lui arrive plus par un canal limité, elle est générale. […] savons qu'il y a perception, sensation, audition, vision ; que ces facultés sont des attributs de tout l'être, et non, comme chez l'homme, d'une partie de l'être […] Il n'en est pas de même de ceux dont le périsprit est plus dense; ceux-là perçoivent nos sons et nos odeurs, mais non pas par une partie limitée de leur individu, comme de leur vivant [...] inférieurs comme supérieurs, n'entendent et ne sentent que ce qu'ils veulent entendre ou sentir. Sans avoir des organes sensitifs, ils peuvent rendre à volonté leurs perceptions actives ou nulles [...]”.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Preto velho por quê?

Em 
SABEDORIA DE PRETO VELHO
De PAI JOÃO DE ARUANDA
Por ROBSON PINHEIRO

Alguém perguntou por que o Espírito João Cobú se manifestava assim, como um preto velho, sentado no chão, com as pernas de lado, a voz potente e forte, tão diferente do médium de que se utilizava. Argumentava que não era necessário a nenhum Espírito apresentar-se daquele modo; não havia motivos para esta caricatura tão rudimentar, arcaica talvez, própria de religiões apegadas a rituais e maneirismos pueris, segundo defendia.

Pai João ouvia atento.

Por que motivo escolher a aparência de um ancião se ele era Espírito, e Espírito não é idoso nem jovem é apenas Espírito. Após alguns instantes em silêncio, Pai João disse:

— Meu filho, pelo que eu saiba o espírito já esclarecido pode se apresentar da forma que desejar para estar com os filhos da Terra. Cada um escolhe a vestimenta que mais lhe agradar. Não há por aí Espíritos que se mostram como irmãs de caridade, padres, orientais, médicos e tantos outros? Por que o preconceito contra o velho ou a vovó? Será apenas porque a gente se apresenta como negro, ex-escravo? Isso por acaso desmerece a mensagem que trazemos? Por que não repelir Espíritos que se manifestem como freiras, indianos ou doutores? Por acaso meu filho pensa que do lado de cá da vida só há diploma de médicos e eclesiásticos?

Pai João prosseguia:

— O problema, meu filho, é que velho não dá ibope para os médiuns e donos de centro. Mas, se além da visão do ancião e do linguajar singelo, a gente se mostra negro, aí sim: o preconceito de meus filhos fala ainda mais alto... Não há alforria que resolva; o preconceito é cativeiro pior que a escravidão. Negro, velho e, ainda por cima, morto... Nego acha que isso incomoda por causa do orgulho e do desejo que vocês têm de enquadrar tudo dentro dos padrões brancos, vamos dizer. Se é assim, meu filho, aceita o conselho de nêgo: vá procurar Espíritos superiores, de médicos, padres e irmãs de caridade, e deixa nêgo trabalhar quietinho, falando com simplicidade para aqueles que não entendem linguagem complicada. Deixa nêgo trabalhar, cantou Pai João.

Na fazenda do nosso Pai, que é Deus, tem lugar para todos. Cada um faça como pode e sente que é correto, pois nem Jesus, nem Kardec deixaram escrito algum dizendo que Espírito deve manifestar-se deste ou daquele jeito. João Cobú faz como sabe, trabalhando com alma e coração Quem souber fazer melhor, faça; ele respeita. Enquanto isso, os pais velhos continuam pedindo ao Senhor que os deixe trabalhar, apenas trabalhar.

Muitos dizem que preto-velho é Espírito atrasado, que não tem conhecimento e que, somente pelo fato de assim se apresentar assim já atesta a própria inferioridade. Mas eu gostaria de convidar a uma reflexão. O que é estar atrasado ou adiantado em sua evolução? Se um Espírito é atrasado, ele o é em relação a quem? Se está adiantado, como saber com certeza?

Muitos julgam as aparências, inclusive a dos Espíritos. Devemos ter cuidado ao fazer isso. É certo que não se deve crer em tudo ou em todos os Espíritos, mas, daí a discriminar um Espírito por ele se manifestar desta ou daquela forma preferida por ele, é preconceito típico de muitos irmãos.

A atmosfera espiritual do Brasil, devido a seu passado histórico, é povoada de Espíritos que preferem manter a forma espiritual tal qual em sua última existência, como escravo, o regime escravocrata terminou; a escravidão, contudo, permanece marcada nos céus no Brasil. O estigma deixado por ela, ainda o experimentamos. É por isso que mesmo Espíritos que não reencarnaram como negros, assumem essa aparência com alguma finalidade.

Por que não questionar também aqueles que se manifestam como frades, madres ou quaisquer formas espirituais que adotem determinados espíritos?

quarta-feira, 18 de abril de 2012

155 anos do Livro dos Espíritos


18 de abril de 1857. Era publicada em Paris a primeira edição da obra-prima de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos. Obra basilar da Doutrina Espírita, contém seus princípios básicos. Esclarece acerca da imortalidade da alma, da natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade. Apresenta ao homem condições para esclarecimentos sobre suas inquietações: o que sou, de onde vim, para onde vou, qual a razão da dor e do sofrimento, qual o sentido da minha existência. O Livro dos Espíritos foi organizado em sua primeira edição, com 501 perguntas e respostas. Em 18 de março de 1860, foi publicada a segunda edição, definitiva, revisada e ampliada, com 1.019 perguntas e respostas, insuperáveis e sempre atuais.

Mesmo à época de seu lançamento, o livro, ditado e inspirado por espíritos de elevada situação sob a coordenação de Kardec, apresentava ideias revolucionárias como igualdade de direitos da mulher e igualdade de direitos do homem em geral, independente de sua posição social, inspirando no Brasil, as causas abolicionistas.

Este é um bom momento para voltar a ler ou, se não leu, começar a leitura deste grandioso, importante e fundamental livro, marco não só do Espiritismo, mas da humanidade.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Mente e Cérebro: A ciência do Autocontrole


04 de abril de 2012

Revista Mente e Cérebro

Sem dominar nossos impulsos não poderíamos conviver de forma civilizada. Segundo neurocientistas, a capacidade de autocontrole social pode ser compreendida por meio de marcas neurobiológicas

Quem nunca teve muita vontade de dizer poucas e boas ao chefe, a um amigo ou parente mas na hora h usou toda a energia para evitar fazer isso? Ou então cedeu ao ímpeto e perdeu algo importante – talvez um relacionamento ou o emprego? Agora, imagine se você sempre fizesse tudo que passasse pela cabeça. Talvez a possibilidade seja tentadora, mas provavelmente você já teria tido problemas profissionais, dificilmente manteria um relacionamento afetivo estável ou amizades e com certeza se envolveria muitas vezes em brigas de todo tipo – o que seria um risco até para sua integridade física. Afinal, não por acaso a capacidade de autocontrole em situações sociais é essencial para um convívio razoavelmente harmônico.

O fato é que quase sempre precisamos refrear nossos impulsos para que, por exemplo, um pequeno desentendimento entre colegas ou na família não se torne algo enorme, que cause ruptura permanente. Da mesma forma, também deveríamos resistir a certas tentações se um relacionamento estável for importante. E quem sempre diz o que pensa não raro coloca pedras no próprio caminho – por exemplo, em uma entrevista de emprego.

Em todas essas situações utilizamos o autocontrole para seguir as normas sociais. Mas nem sempre é fácil manter o domínio de nossas reações. E como acontece com a maioria das características humanas, há grandes diferenças individuais no que se refere à capacidade de filtrar comportamentos para não deixar que a exaltação tome conta de nós. Em nossa sociedade, quem tem bom domínio de si mesmo é em geral mais respeitado por outros do que pessoas consideradas imprevisíveis e explosivas – o que certamente traz inúmeras vantagens.

Pessoas com bom autocontrole são, em geral, mais bem-sucedidas no trabalho e mantêm relacionamentos estáveis, como comprovam estudos do psicólogo social Roy Baumeister e de seus colegas da Universidade Estadual da Flórida em Tallahassee, nos Estados Unidos. Ele reconhece que, apesar de a autonomia emocional ser tão importante para o convívio, durante muito tempo seus fundamentos neurobiológicos foram ignorados. Hoje, os pesquisadores que se dedicam a esse estudo investigam principalmente duas questões: 1. Os processos cerebrais responsáveis por nossa capacidade de autocontrole social; 2. As características neurobiológicas que possam esclarecer as diferenças individuais relacionadas a essa capacidade.

Alguma vez um bom amigo traiu sua confiança? É provável que você tenha exposto a ele claramente sua opinião ou talvez tenha até terminado a amizade. Ou você se irritou ultimamente com uma multa por ter dirigido rápido demais na estrada? De fato, quando desrespeitamos regras, podemos ser punidos pelas pessoas à nossa volta ou por instituições públicas. Por esse motivo, quase sempre respeitamos as normas e controlamos impulsos egoístas para evitar as sanções.

Sabendo disso, neurocientistas aproveitam o fato de as reações serem mais fortes quando somos ameaçados com punição por desrespeito ao que está estabelecido ou em situações nas quais somos observados por outras pessoas e reproduzem essas condições nos experimentos. Uma equipe de pesquisadores coordenada pelo cientista econômico Ernst Fehr, da Universidade de Zurique, e pelo psiquiatra Manfred Spitzer, da Universidade de Ulm, estudou recentemente o que acontece no cérebro nessas ocasiões. Eles compararam o comportamento e a atividade cerebral de adultos saudáveis em duas situações: na primeira, o participante recebia 1 euro por rodada e deveria decidir a cada vez que porcentagem queria ceder para outro participante. No Segundo cenário a pessoa devia tomar a mesma decisão, sabendo, porém, que o recebedor poderia considerar a oferta injusta e punir com pontos negativos aquele que a propunha.

Conforme esperado, os voluntários se mostraram muito mais generosos diante da possibilidade de punição. Enquanto no primeiro caso quase ninguém optou por doar mais de 20 centavos, a maioria dos participantes do outro grupo dividiu pela metade a quantia que lhe coube.

Como revelou a tomografia por ressonância magnética funcional (TRMf), as áreas pré-frontais foram mais intensamente ativadas quando havia a possibilidade de castigo. Quanto mais divergente o comportamento do participante sob as duas condições, maior se mostrava a diferença no cérebro. Aqueles que responderam mais intensamente à punição por uma oferta muito sovina, cedendo muito mais dinheiro, apresentaram intensa ativação do lobo frontal.

Os pesquisadores acreditam que isso ocorre porque os participantes precisam exercer maior controle sobre seus impulsos egoístas para ceder uma quantia mais elevada do que gostariam. O córtex pré-frontal desempenha aqui um papel claramente importante.

O resultado é também interessante se considerarmos estudos que mostraram uma ativação reduzida de áreas pré-frontais em criminosos psicopatas. Sua pouca capacidade de controlar o próprio comportamento apesar da ameaça de sanções pode estar associada a déficits nessas áreas.


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Carlos Baccelli na SEEB

Neste último sábado, dia 14 de abril, Carlos Baccelli presenteou a Sociedade de Educação Espírita da Bahia com uma palestra muito esclarecedora acerca da Mediunidade. Sua presença faz parte da série "Encontros" onde a SEEB convida personalidades do Espiritismo para um encontro em nossa humilde casa, que objetiva exatamente isso – uma proximidade com ideias e pensamentos de pessoas, tão diversas e ao mesmo tempo parecidas conosco. Já participaram do "Encontros" Wanderley Oliveira, Francisco do Espírito Santo Neto, Djalma Argollo e Manoel Messias.


domingo, 8 de abril de 2012

O Sermão da Montanha




Época de Páscoa,  é bom nos lembrarmos não da sua morte crucificado, mas do maior discurso jamais pronunciado em toda a Terra em qualquer tempo.


Fonte: Evangelho de Mateus
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E JESUS, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande a vossa recompensa nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, como há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.

Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a vela e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.

Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim destruí-la, mas cumpri-la. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer pois que violar um destes mais pequenos mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.

Ouvistes que foi dito aos antigos: 
Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. 
Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: "Imbecil", será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno. Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem e apresenta a tua oferta. Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último centavo.

Ouvistes que foi dito aos antigos: 
Não cometerás adultério. 
Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.


Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: 
Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor. 
Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis: nem pelo céu, porque é o trono de Deus; 
Nem pela terra, porque é o apoio de seus pés; 
nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei; 
Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. 
Seja, porém, o vosso sim, sim; e o vosso não, não. Porque o que passa disto é de procedência do mal.

Ouvistes que foi dito: 
Olho por olho, e dente por dente. 
Eu, porém, vos digo, que não resistais ao mal; mas se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda; E ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também o manto; E, se qualquer te obrigar a caminhar um quilômetro, vai com ele dois. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que te pede emprestado.

Ouvistes que foi dito: 
Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. 
Eu, porém vos digo: Amai a vossos inimigos, bem-dizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; Para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudares unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.

GUARDAI-VOS de dar a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles: aliás não tereis recompensa junto a vosso Pai, que está nos céus. Quando pois deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam toda a sua recompensa. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; Que a tua esmola seja dada ocultamente: teu Pai, que a tudo vê, te recompensará publicamente.

E, quando orares, não sejas como os hipócritas: pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam toda a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai em segredo; e teu Pai que a tudo vê, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis pois a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes.
Portanto, vós orareis assim: 

Pai nosso, que estais nos céus, 
santificado seja o teu nome; 
Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, 
assim na terra como no céu; 
O pão nosso de cada dia nos dai hoje; 
Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos quem nos tem ofendido; 
E não nos deixeis cair em tentação, 
mas livrai-nos do mal.

Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará; Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.

E, quando jejuardes, não vos mostreis entristecidos como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Porém tu, quando jejuares, perfuma a tua cabeça, e lava o teu rosto, para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que não vês; e teu Pai, que que a tudo vê, te recompensará.

Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

A luz do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há-de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.

Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento e o corpo mais do que o vestido? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um só dia à duração de sua vida? E, quanto ao vestido, porque andais preocupados? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis pois inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?  Porque todas estas coisas os gentios é que procuram. De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas. Não vos inquieteis pois pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. A cada dia basta o seu mal.

Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão-de medir.
E porque reparas tu no cisco que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco do teu olho; estando uma trave no teu?
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o cisco do olho do teu irmão.

Não deis aos cães as coisas santas, nem dei aos porcos as vossas pérolas, para que não aconteça que as pisem com os pés, e, voltando-se contra vós, vos despedacem.

Pedi, e vos será dado; buscai, e encontrareis; batei a porta, e a porta vos será aberta. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca encontra; e, ao que bate, se abre.

E qual de entre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhos pedirem? Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.

Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.

Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

Nem todo o que me diz: "Senhor, Senhor!" entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: "Senhor, Senhor, não profetizámos nós em teu nome? E em teu nome não expulsámos demónios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?" E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.


Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.

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E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina;
Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.


terça-feira, 27 de março de 2012

A depressão é falta de Deus?

Dra. Giselle Fachetti Machado
(Blog Medicina e Espiritualidade)
Médica Ginecologista e Obstetra. Graduada pela Faculdade de Medicina da UFG e, Residência médica e especialização em Colposcopia no HC da UFMG. É responsável pelo Serviço de Colposcopia do Laboratório Atalaia de Goiânia. É membro da Comunidade Espírita Ramatís, em Goiânia e atuante no movimento em Defesa da Vida e na AME Goiás (Associação Médico Espírita).


As pesquisas científicas mais recentes são categóricas em afirmar que a fé religiosa interfere positivamente na capacidade de recuperação de um doente. Por outro lado, existem pessoas que atribuem à sua fé religiosa seu estado de saúde plena.
Sem dúvida, a fé é um recurso transformador da mente, porém, sem discernimento ela deságua no fanatismo e no preconceito, o que é sempre pernicioso. Os bens espirituais não são materiais ou físicos, por isso, as bênçãos divinas não podem ser medidas pelo sucesso financeiro ou pelo vigor físico de um indivíduo.

Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Mateus 6:20
O que pretendemos discutir neste artigo é o outro lado da moeda. Será o doente um indivíduo sem fé, sem Deus? Será que o otimismo, o pensamento positivo, a boa vontade, a fé em Deus são suficientes para que tenhamos saúde?

Todas as doenças têm causas multifatoriais. Existe um componente físico, um emocional e outro espiritual. A conjunção dos três níveis de desequilíbrio é que abre as portas do organismo humano para a instalação de doenças.
Choca-me a forma recorrente e incisiva com que pessoas esclarecidas, atuantes dentro de comunidades religiosas as mais diversas, afirmam que para elas a depressão é falta de Deus. Como se se tratasse de uma questão de escolha. Chegam a cogitar que os medicamentos antidepressivos seriam os responsáveis pela doença. É lastimável que essa visão distorcida seja tão presente em nossa sociedade.
Trata-se de questão relevante, pois o doente com depressão tem ao seu lado, em sua família, pessoas com esse pensamento. O que resulta em um retardo no diagnóstico, prolonga o sofrimento do deprimido e, boicota seu tratamento. Essa visão se transfere ao doente e, ele sente-se ainda pior. Considera-se fraco, incapaz ou indolente.
As pessoas que assim pensam cometem vários erros do ponto de vista médico e, outros tantos do ponto de vista evangélico. Elas assim agem por interpretarem os sintomas dessa doença como puramente emocionais ou como falhas de caráter. Desconhecem os mistérios da mente em sua interação complexa envolvendo o universo biológico, emocional e espiritual.
O religioso precipitado julga o doente ignorando o verdadeiro mecanismo da sua doença, que é expressão de anomalia física e não de anomalia de caráter. Assim como o diabetes traduz a falta de insulina, a depressão reflete déficit de neuro-hormônios no cérebro.
Existe, logicamente, um intricado emaranhamento entre questões emocionais e o curso mais ou menos favorável dessa condição, como em qualquer outra situação de desequilíbrio orgânico.

Portanto nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não só trará à luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o seu louvor. I Coríntios 4:5

É interessante como a humanidade repete, incansavelmente, os mesmos erros de seu passado. Os Hansenianos contemporâneos de Jesus eram tidos como malditos e pecadores, como vítimas do castigo divino.
Sob o prisma da medicina sabemos que humor é uma função da mente regulada por neuro-hormonios. A pessoa com distúrbio do humor não está triste ou alegre. Ela está deprimida ou eufórica. Em medicina não são sinônimos, podemos ter uma pessoa deprimida e alegre e, uma pessoa em euforia e triste. A tristeza é um sentimento em reação a um fato exterior. A depressão não depende de cau sa externa, daí o termo depressão endógena.
Quando ocorre uma diminuição da produção de neuro-hormônios, especialmente da serotonina, ocorre alteração do humor no sentido da depressão. A euforia é mais rara e, associa-se a um distúrbio da mente mais severo conhecido como doença bipolar.
A depressão endógena, portanto, reflete déficit de neurotransmissores e a etiologia desse déficit por sua vez é multifatorial. A influência genética é bastante evidente. Trata-se de condição mais frequente na mulher em função da flutuação hormonal que ela sofre. A progesterona, hormônio da segunda fase do ciclo e, da gravidez, predispõe à depleção de serotonina, por isso a tendência feminina para alterações do humor na fase pré-menstrual.
Trata-se de doença com caráter cíclico e recorrente. Os episódios de depressão costumam ser longos durando entre seis meses e dois anos. Em suas formas graves pode levar a uma profunda apatia, sensação de intenso pesar que pode levar o deprimido até extremos como o do suicídio.
As formas leves muitas vezes são negligenciadas, pois tem manifestação algo diferente. A pessoa fica irritada, ansiosa, intolerante, pode desenvolver pânico ou comportamento obsessivo compulsivo. Mesmo em sua forma leve a depressão compromete bastante a qualidade de vida do seu portador, compromete ainda seus relacionamentos profissionais e pessoais. São pessoas tidas como chatas, arrogantes, perfeccionistas, intransigentes ou cheias de manias.
A Distimia é um distúrbio crônico do humor, uma forma mais leve da depressão endógena que se caracteriza por persistir por períodos maiores que dois anos e por manifestar-se com humor mais irritável do que depressivo.

Os exercícios físicos liberam endorfinas na corrente sanguínea as quais tem ação antidepressiva natural. O chocolate, fonte de triptofano, um precursor da serotonina, também tem ação antidepressiva. Atualmente existem medicamentos seletivos e seguros para o tratamento da depressão. São os antidepressivos, que não devem ser confundidos com sedativos, hipnóticos ou tranquilizantes. Estes últimos causam dependência química, o que não acontece com os medicamentos específicos para depressão.
Infelizmente, drogas ilícitas e lícitas, como o álcool, também têm algum efeito antidepressivo transitório. Isso leva, comumente, ao seu uso abusivo pelos doentes em função de um busca por alívio instantâneo do desconforto que os consomem, especialmente, naquelas pessoas que não se sabem ou não se admitem doentes.
Assim, o risco de desenvolvimento de dependência química entre os deprimidos é aumentado. Não é incomum que o diagnóstico de depressão endógena só seja feito após a instalação de uma dependência química, especialmente entre os adolescentes.
Os antidepressivos ainda que bastante eficientes devem ser associados a exercício físico e ao suporte emocional para que se obtenha um bom controle das crises depressivas. Tal medicação pode ser usada por extensos períodos, de acordo com a forma da doença e a necessidade de cada doente.
O suporte espiritual é também fundamental para o depressivo. Reduz a influência exterior negativa (obsessão) e, aumenta a capacidade de reagir à doença através da busca serena de soluções seguras.Quando afirmamos que a depressão é falta de Deus estamos julgando um doente como um simulador ou como um auto-agressor. Estamos julgando o doente como fraco e, sem vontade. E pior, como distante de Deus. Quantos enganos em relação ao Evangelho do Cristo? Ele, o Cristo, nos conclama a não julgarmos, a sermos compassivos e misericordiosos.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; Mateus 5:7

Todas as doenças enfrentadas com o auxílio divino são mais leves e tornam-se instrumento de educação do espírito encarnado. Tendo fé a nossa dor tem um sentido, faz parte de um conjunto de bênçãos do criador em favor de nossa evolução rumo aos paramos celestiais. Com fé lutaremos pela vida e pela disposição, sem revolta e com inteligência.
Tendo fé usaremos todas as armas terapêuticas em nosso benefício e pelo tempo necessário conforme essa necessidade se imponha. Caso não precisemos de medicação, usaremos apenas os exercícios físicos e o apoio emocional como alternativa suficiente, já que múltiplos são os tratamentos eficazes em relação a essa doença.
A premissa que depressão é falta do que fazer, falta de Deus, chilique... É desinformada e cruel. A informação sobre essa condição permitirá que pessoas saudáveis acolham respeitosamente as necessidades dos doentes com os quais convivem.
E, para finalizarmos, levantamos uma evidência óbvia de que a depressão não tem como causa, em hipótese alguma, a falta de Deus: os índices dessa doença são semelhantes entre ateus e teístas.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Agnaldo Paviani e o Espírito Klaus

Fonte:
Centro Espírita Casa de Redenção Joanna de Ângelis
(http://cejoannadeangelis.org.br)
Extratos de entrevista cedida em setembro de 2010



Agnaldo Paviani:
"Eu diria que Klaus é um espírito difícil de trabalhar. Ele é muito exigente. Vou dar um exemplo para não dizerem que estou exagerando. Recentemente eu disse a ele:
— Klaus, eu não ando bem de saúde, uma dor aqui, uma dor acolá; não dá pra você pedir a uns guias, amigos seus, um passe especial, um tratamento pra mim?
Aí ele me disse:
— Meu filho, imagine que você vai comprar um carro e só tenha R$3.000,00. Que carro o senhor vai comprar?
— Com 3.000,00! Um Gol, ou um Fusca caindo aos pedaços, e olhe lá! Respondi.
Ele disse:
— Pois é. Quando o senhor foi reencarnar, o senhor só tinha R$3.000,00.
Ele tem esse humor, mas é um espírito bastante rígido, até pelo trabalho que ele faz. Em nossa casa, nós temos um trabalho de cirurgia espiritual que ele faz através de mim, toda terça-feira, às seis da tarde. Ele atende todas as pessoas que estão lá, todos os pacientes. Ele fica incorporado até meia noite, meia noite e meia, e atende uma média de 150, 160 pessoas toda terça-feira. Em um trabalho desses, é preciso uma organização, uma disciplina, uma postura ética. Mas eu tenho um prazer muito grande em trabalhar com o Klaus. Ele tem me ensinado muito, dentro dessa postura rígida.
Ele tem dois livros escritos: Falando Francamente e a sua continuação, A Hora da Verdade. Ele supervisionou o livro Não Há mais Tempo, que eu não sei se vocês conhecem. É um livro também excelente, com a fala de vários espíritos. São várias dissertações, inclusive do espírito Haniere."


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"Um dia eu perguntei ao Klaus:
— O Espiritismo está centrado na reforma íntima do ser humano, mas aqui, na nossa casa, nós temos atendimento em maca, cirurgia espiritual, atendimento de pai velho, apometria. Não estamos fugindo um pouco à proposta do Espiritismo?
E ele me respondeu com uma imagem simbólica que eu achei maravilhosa e nunca mais esqueci. Ele disse:
— Meu filho, imagine que você está na sua casa, um dia, meia noite, uma hora, e lhe dá uma dor de estômago, um mal estar, e você precisa ir para o pronto-socorro. O que é que eles vão fazer com você lá?
— Ora, simples! Eles vão fazer uma ficha, vão pegar o meu nome, eu vou ficar numa sala de espera, e daí a algum tempo algum médico plantonista vai me atender.
— Muito bem! E se chegar ao pronto-socorro uma pessoa que sofreu um acidente e que está com traumatismo craniano, baço perfurado e hemorragia interna? O atendimento vai ser o mesmo?
— Não. Ele vai direto para a sala de cirurgia e vão tentar salvar a vida. Depois eles vão ver quem é, vão fazer a ficha.
— Muito bem! As pessoas que chegam ao centro estão cansadas. Elas estão sofridas. São pessoas com depressão, angustiadas, e esse socorro que a gente oferta, do tratamento em massa, da cirurgia espiritual, é tratamento de emergência. É o tratamento para quem chega em estado grave. Posteriormente nós vamos falar da importância da doutrina, da necessidade do Espiritismo para que a própria pessoa possa se curar.

Algumas pessoas chegam aos centros falando que estão passando mal e logo um dono da verdade diz: Leia no Livro dos Espíritos a questão tal. Ora! Naquele momento não interessa o que Kardec disse. Nós temos que saber qual o problema da pessoa dentro da nossa realidade. Ela está à beira de um suicídio, a ponto de matar alguém. Ela precisa se sentir amada, precisa sentir afeto. Depois nós passamos a Doutrina Espírita para ela. As casas espíritas precisam pensar nesse sentido."

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"Os guias adoram deixar a gente atormentado. Eu odeio viajar de avião e uma vez eu perguntei a Klaus, incorporado em outro médium:
— Está na minha programação encarnatória alguma coisa com acidente de avião?
E ele respondeu:
— Não, meu filho, não tem nenhuma programação neste sentido.
— Graças a Deus!
— Mas se você estiver no aeroporto errado, no voo errado..."



terça-feira, 13 de março de 2012

Nova novela das seis aborda o Espiritismo

Fonte: Terra e TvTudo

Pela primeira vez, a Globo exibirá uma novela que tem parte de sua trama rodada no Pará. A partir de segunda-feira, 5 de março, Amor Eterno Amor, a nova novela das seis, começa a contar a história de Carlos (Gabriel Braga Nunes), um domador de búfalos da Ilha de Marajó, que foi sequestrado aos três anos de sua família biológica. Para sua verdadeira mãe, Verbena (Ana Lúcia Torre), Carlos é Rodrigo.

Para levar ao ar Amor Eterno Amor, a equipe da novela viajou para Carrancas (MG), onde as cenas da infância de Carlos foram gravadas. A região é tomada por cachoeiras e belas paisagens que serviram de inspiração à história. O elenco passou também 20 dias no Pará para rodar cenas em Alter do Chão, Soure e Belém.

Além da ambientação na região Norte do Brasil, a trama da novela terá como pano de fundo o espiritismo. A personagem Verbena terá uma relação muito grande com a doutrina.



Ana Lúcia Torres “Tenho uma relação muito forte com o espiritismo”


A atriz, que vive a personagem Verbena, mãe que luta por encontrar o filho desaparecido, disse ao O Fuxico que sente-se honrada com a personagem.

“O meu papel relata claramente este mundo espiritual. O público verá a coragem de uma mãe, e até onde o amor pode chegar. A Verbena luta com a saudade e uma eterna busca pelo seu filho. Quantas mulheres não passam por isso e continuam procurando, buscando, tendo no coração que um filho não se perde ele está vivo em algum lugar sabendo que ele ira voltar?”, questiona.

Para a atriz, que segue a religião espírita, será importante mostrar ao público essa vertente religiosa e, ao mesmo tempo, assumir uma responsabilidade diante de um assunto delicado.

”Sou espírita e aos 5 anos de idade fiquei doente, desmaiava toda segunda-feira, até que uma vizinha falou para eu tomar um passe. Eu nunca mais tive problema. Só melhorei quando meus pais me levaram ao centro espírita e até hoje eu frequento. Por isso, tenho uma relação muito forte com o espiritismo e ter esta espiritualidade, diante deste papel, tem um peso e uma responsabilidade imensa. Aprendi que ninguém é metade de ninguém. Todo mundo é único esse é o verdadeiro amor”, avalia.


Cássia Kiss


"Da água para o vinho". É assim que pode se classificar a mudança de personagem de Cássia Kiss. Afinal, a atriz, que recentemente viveu a doce e sofrida Dulce, em Morde & Assopra, agora interpreta a vilã Melissa, em Amor Eterno Amor.

A atriz disse que adora atuar em novelas que tratam do tema espiritismo. "Já frequentei centros espíritas e nunca vou me esquecer de uma situação que me aconteceu, pois eu ouvi: 'prepare-se, seu céu vai se encher de azul'. E logo eu conheci meu marido. Portanto eu acredito em tudo e respeito tudo", se emocionou Cássia.


"Espero apanhar na rua", diz Carmo Dalla Vecchia sobre novela


"É um vilão que só usa terno, mas usa piercing na orelha, para dar uma coisa mais radical. É diferente", contou. "Estou preparado para tomar muita bolsada", afirmou o ator, que assistiu aos filmes de Alfred Hitchcock para compor o personagem.

"Ele é super antenado com a tecnologia. Os textos da Elizabeth Jhin (autora) para o personagem são geniais", opiniou. "Espero que o antagonista supere as expectativas dela", completou.

Budista há 15 anos, o ator disse estar feliz com a temática espírita da novela. "Acredito no espiritismo e acho que tem tudo a ver com o budismo. Estou adorando fazer exatamente por isso".


Carolina Kasting vive psicóloga espiritualizada


A atriz dá vida a uma psicóloga que utiliza em seus pacientes a técnica de regressão, processo espontâneo ou induzido que permite relembrar, compreender e integrar experiências marcantes vividas por qualquer pessoa nesta ou em outra vida. Na visão de Carolina, a personagem é uma pessoa bastante evoluída e que procura apenas as coisas boas. "Ela é muito espiritualizada. E procura respostas para seus pacientes que vão além da medicina tradicional", explica a atriz.

Segundo a atriz, independente da crença de cada um, a fé é muito forte entre os brasileiros. Batizada na Igreja Católica, Carolina confessa que não é praticante e prefere não seguir dogmas de nenhuma religião específica. "Tenho a minha fé particular e não está baseada em nenhuma religião. Acredito em Deus, sou uma pessoa espiritualizada, mas não sigo nenhuma regra ou doutrina específica", comenta.

Neta de kardecista, Carolina não havia tido nenhuma relação com o espiritismo até ser convidada para a novela, quando passou a ler livros sobre psicologia social, hipnose e assistir depoimentos de pessoas que fizeram a técnica de regressão. "Eu nunca fiz uma terapia desse tipo. Mas, descobri que estamos trabalhando em algo bem científico. Não se trata de um fenômeno inexplicável", revela a atriz. De acordo com Carolina, o processo é um passo para o autodescobrimento e o conhecimento da vida. Mas a atriz garante que, no momento, não vê a necessidade de fazer alguma terapia de regressão. "Faria algum dia, mas não procuro isso agora na minha vida. Estou em outro processo. Tenho as minhas particularidades", confessa.

Na história, Beatriz irá se envolver com Gabriel, personagem de Felipe Camargo, que duvida da técnica de regressão a vidas passadas. Os dois vivem um conflito de questionamento entre o espiritualismo e o ceticismo. "Eles trazem essa discussão de acreditar apenas no corpóreo ou nesse mundo invisível. Essa dualidade dos dois vai bater muito de frente. Mesmo com convicções tão diferentes, os dois vão se amar intensamente", ressalta.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Porque as casas espíritas tem tantos problemas?


Por Sérgio Vencio
Blog Medicina e Espiritualidade

Travar conhecimento com a doutrina cristã nos coloca em um estado de êxtase, que praticamente todos nós já experimentamos. Uma fase inicial de fanatismo é seguida na maioria das vezes por outra de desânimo quando constatamos que aqueles que trabalham dentro da doutrina espírita estão longe de praticar o que pregam. Isso é fato, é universal, e ao mesmo tempo, faz parte do aprendizado individual e coletivo.
Se voltarmos no tempo, observaremos que o colégio de discípulos do Cristo era composto de homens que disputavam poder, atenção (Mateus 20:21), reclamavam dons espirituais (Mateus 17:14-21), e queriam exclusividade sobre a palavra (Lucas 9:50). Além disso, temos também os dolorosos exemplos da negação de Pedro (Marcos 14) e da traição de Judas (Lucas 6).
Assim acontece até hoje. Diariamente somos chamados a trabalhar na seara do Cristo, em prol de nos tornarmos homens e mulheres melhores e de constituir uma sociedade mais justa e amorosa.
Porém é de se notar como dentro das comunidades religiosas existe tanta diversidade, tanta discórdia e disputa que não se coaduna com a doutrina amorosa que todos defendem.
Vivendo entre altos e baixos, vamos aos poucos incorporando esses ensinamentos cristãos em nossas vidas. Quanto mais sabemos observar nossas falhas, e combater o homem velho, mais deixamos de combater o outro que ainda erra e passamos a lutar contra nós mesmos.
A experiência nos mostra que todas as mudanças interiores pelas quais devemos passar acontecerão aos poucos, iremos incorporando na nossa personalidade, qualidades e desenvolvendo talentos, conquistados a duras penas, e a transformação acontecerá de forma natural em nós. Não haverá um dia que marcará esse evento. Simplesmente teremos nos transformado para melhor e seguiremos adiante, já com outras preocupações, pois a busca pela evolução é contínua e eterna.
No macro como no micro. Em cima como embaixo. O que acontece conosco, as nossas dificuldades, dúvidas, incertezas, tudo isso também está presente no outro que conosco forma nossa comunidade religiosa. Como essa congregação é constituída de indivíduos falhos, é natural que ela seja falha em si mesma, seja capenga de maiores sentimentos humanitários e amorosos. Olhando assim, fica fácil entender como ainda somos dependentes da energia amorosa do Cristo dentro de nós e de nossas casas espíritas. Sem esse alento, nada aconteceria e tudo seria um vazio a ser preenchido por algo que ainda não possuímos.
Quando defrontados por problemas na casa espírita, seja ele de qualquer ordem, podemos fugir e procurar uma casa que nos “compreenda” ou podemos insistir, acreditando que estamos no lugar certo na hora certa com companheiros certos, imperfeitos como nós mesmos e necessitados de compreensão mútua, de percorrer uma estrada árdua, com um fim comum chamado transformação interior.
Podemos sempre agir como Judas ou como Pedro. Um fugiu, suicidando-se e demorando séculos para retornar aos braços amorosos do Cristo pelo esforço próprio, outro, Pedro, após negar ao Cristo três vezes, entende que o homem do mundo é mais frágil do que perverso, e se constitui na pedra fundamental da doutrina nascente, pelo exemplo de amor, humildade e caridade, auxiliando os menos favorecidos, os doentes, os estropiados do mundo a encontrar o caminho de luz traçado pelo Cristo.
O presidente da casa é orgulhoso? Sejamos humildes. Falta amorosidade aos atendentes. Distribuamos amor de mãos cheias. O palestrante fala o que não faz? Façamos nossa parte com o máximo de cuidado. O médium se acha mais importante que o próprio Deus? Saibamos nos enxergar na nossa pequenez verdadeira. A crítica corre solta na casa? Saibamos fechar nossos ouvidos e bocas a toda intriga, emitindo pensamentos de luz, agradecendo a oportunidade.
Quando inseridos em uma casa religiosa, devemos entender que em todo problema, quem deve se modificar somos nós mesmos, visando construir um ambiente mais amoroso, de perdão e compreensão, assim como fez Jesus, nosso mestre e modelo.
Paz e luz!

Assinada ordem para retomada de obras do Memorial Chico Xavier


 

Obra em Uberaba está parada há quase dois anos. Repasse veio do Ministério do Turismo e Prefeitura.


Do G1 Triângulo Mineiro 
01/02/2012 14h27 


A ordem de serviço para a retomada das obras do Memorial Chico Xavier, em Uberaba, foi assinada nesta terça-feira (31). O valor é de R$ 2,2 milhões, sendo 90% da verba proveniente do Ministério do Turismo e 10% da Prefeitura. A obra está parada há quase dois anos e no local existem apenas estruturas de fundações e paredes erguidas, o que representa 35% de obra concluída.
O Memorial será construído na área que é integrada à Mata do Carrinho, no Bairro Parque das Américas. A fiscalização da obra ficará por conta da Caixa Econômica Federal (CEF), responsável pela liberação do recurso. Segundo o presidente do Memorial, Adalberto Pagliaro Júnior, o dinheiro será suficiente para finalizar a primeira etapa do projeto. O prazo para a conclusão deste trabalho é de dez meses. “Com esse dinheiro nós vamos concluir 100% da primeira etapa que compreende a parte da instituição e do Memorial”, explicou.
Para o filho do médium, Eurípedes Higino, o Memorial será um incremento para o turismo religioso. "A gente vê que o número de pessoas está cada vez mais em busca deste tipo de turismo", contou Higino.
Apesar do atraso na construção do prédio o acervo fotográfico do médium começou a ser digitalizado há quatro meses. O responsável pelo trabalho é o empresário Guilherme Castro Cunha Carvalho. Já foram recuperadas 2.800 fotos dos momentos que retratam a trajetória de Chico no Espiritismo e também na intimidade. “Um projeto que Uberaba deve apoiar e nós uberabenses queremos preservar essa memória”, contou Carvalho.
O acervo ficará no memorial e será disponibilizado aos visitantes. Quem tiver fotografias com o médium também pode contribuir com o projeto. “As pessoas podem enviar as fotos para a digitalização e depois elas serão devolvidas. As fotos são somente para contribuir com a pesquisa”, explicou o empresário.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

“Porque eu odeio a religião, mas amo Jesus” - Vídeo causa polêmica no meio cristão

janeiro 17, 2012 inforgospel.com


Após postar o vídeo com o titulo “Porque eu odeio a religião, mas amo Jesus”, Jefferson Bethke já alcançou a marca de mais de 12 milhões de visualizações e tem incomodado e causado controversas entre cristãos e não cristãos.
O jovem Jefferson Bethke, da igreja Mars Hill Church produziu um filme com o tema “Why I Hate Religion, But Love Jesus” – “Porque eu odeio a religião, mas amo Jesus” e postou em seu canal no You Tube. O vídeo, que traz sua mensagem em versos cadenciados, muito semelhante a um rap, está causando controvérsias entre diversos grupos de cristãos e não-cristãos.
O conteúdo do vídeo fala sobre temas como legalismo, aparência cristã e o verdadeiro sentido do cristianismo, chamando atenção ao tema de que Jesus supera a religião. O vídeo já gerou mais de 12 milhões de visualizações desde sua publicação, em 10 de janeiro, e mais de 30 mil comentários e vários outros vídeos reposta.
O criador do vídeo baseou-se em sua própria experiência para dizer, em seus versos, que “Jesus e religião estão em lados opostos”, quando a mensagem de Cristo não é praticada pelos que dizem conhecer e professá-la.
“Se a religião é tão grande, por que ela começou tantas guerras? Construiu tantas igrejas, mas não para alimentar os pobres”, diz um verso.
Um vídeo em resposta ao de Bethke dizia:
“Por que religião traz o ódio, hipocrisia e guerra? Porque somos infectados com pecado. Mas Deus vai julgá-los. Pessoas sem religião, aqueles que somente tem a Bíblia. Eles ainda sabem como recarregar e matar um ao outro com armas”.
Nos comentários, pessoas criticavam o autor Jefferson Bethke entendendo que ele estava atacando a igreja.
“Eu amo minha igreja e todos nós somos parte dela. Não podemos deixar que essa era radical acabe com isso. Deus nos quer unidos, nós somos igreja”, opinou diagonza612, usuário do Youtube
O autor do vídeo se defendeu no Facebook dizendo que ele não estava usando o vídeo para ‘bater’ na igreja, mas sim mostrar o legalismo e a hipocrisia. 

O vídeo recebeu milhares de avaliações, mas o número de pessoas que disseram gostar da mensagem superou os que mostraram não gostar. Até o momento, foram 216.464 likes e 29.725 dislikes.
Por Jussara Teixeira