sábado, 31 de dezembro de 2011

Frases revelam essência de Allan Kardec

“A educação, se bem compreendida, é a chave do progresso moral.”

“A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não do estado material do meio em que se acha.”

“A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros.”

“A própria destruição, que parece aos homens o termo das coisas, não é senão um meio de atingir, pela transformação, um estado mais perfeito, porque tudo morre para renascer, e coisa alguma se torna em nada.”

“A pureza de coração é inseparável da simplicidade e da humildade; ela exclui todo pensamento de egoísmo e de orgulho; é por isso que Jesus toma a criança como símbolo dessa pureza, como a tomou por símbolo de humildade.”

"A vida nem sempre é como sonhamos, mas nem sempre sonhamos o que queremos viver.”

"Amar os inimigos é perdoar-lhes e lhes retribuir o mal com o bem. O que assim procede se torna superior aos seus inimigos, ao passo que abaixo deles se coloca, se procura tomar vingança."

“As aflições na terra são os remédios da alma; elas salvam para o futuro, como uma operação cirúrgica dolorosa salva a vida de um doente e lhe devolve a saúde. É por isso que o Cristo disse:" Bem-aventurados os aflitos, pois eles serão consolados.”

"Com a inveja e o ciúme, não há calma nem repouso para aquele que está atacado desse mal: os objetos de sua cobiça, de seu ódio, de seu despeito, se levantam diante dele como fantasmas que não lhe dão nenhuma trégua e o perseguem até no sono."

“Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade.”

“Fora da caridade não há salvação.”

“Julgando-se com direitos superiores, melindra-se com o que quer que, a seu ver, constitua ofensa a seus direitos.”

“Na ausência dos fatos, a dúvida se justifica no homem ponderado.”

“Não façais aos outros o que não quereríeis que vos fosse feito, mas fazei-lhe, ao contrário, todo o bem que está em vosso poder fazer-lhe.”

"Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os espíritos antes, durante e depois de suas encarnações."

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.”

“O corpo existe tão somente para que o Espírito se manifeste.”

“O egoísmo, o orgulho, a vaidade, a ambição, a cupidez, o ódio, a inveja, o ciúme, a maledicência são para a alma ervas venenosas das quais é preciso a cada dia arrancar algumas hastes, e que têm como contraveneno: a caridade e a humildade.”

“O Espiritismo abre a Arte um campo novo, imenso e inexplorado. E quando o artista trabalhar com convicção, como trabalharam os artistas cristãos, colherá nessa fonte as mais sublimes inspirações.”

“O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem.”

“O homem é assim o árbitro constante de sua própria sorte. Ele pode aliviar o seu suplício ou prolongá-lo indefinidamente. Sua felicidade ou sua desgraça dependem da sua vontade de fazer o bem.”

“O sinal mais característico da imperfeição do homem, é o seu interesse pessoal."

“Os homens semeiam na terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza.”

“Possuímos em nós mesmos pelo pensamento e a vontade um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea.”

(FONTE -> www.ex-vermelho1.blogspot.com/)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A Prece de Cáritas

Psicografada na noite Natal, 25 de dezembro, do ano de 1873, a Prece de Cáritas foi ditada pelo espírito de Cáritas, que se comunicava através das faculdades de uma das grandes médiuns de seu tempo, Mme. W. Krell num círculo espírita de Bordeaux, França.

A médium psicografava em transe e todas as mensagens (inclusive a Prece de Cáritas) por ela recebidas e as que chegaram até nós encontram-se no livro Rayonnements de la Vie Spirituelle, publicado em maio de 1875, em Bordeaux. Este livro foi publicado no Brasil em fevereiro de 2002 pela Editora Camille Flammarion, de São Paulo, capital.

Segundo o site Portal do Espírito, Cáritas seria Irene, martirizada em Roma no ano de 305, quando das perseguições aos cristãos pelo Imperador Diocleciano. Canonizada posteriormente pela Igreja Católica, ficou sendo conhecida como Santa Irene.

Convertida ao cristianismo, ela tinha duas irmãs. Quando Diocleciano decretou a perseguição aos cristãos, Irene foi acusada de possuir “livros proibidos”. Foi condenada a morrer queimada na fogueira, sendo que suas irmãs foram degoladas à sua frente.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo e na Revista Espírita, de Allan Kardec, encontram-se também mensagens ditadas por Cáritas, estimulando a fraternidade, a solidariedade e a caridade.

A perfeição das mensagens psicografadas dos maiores nomes da poesia francesa, como Lamartine, André Chénier, Saint-Beuvee, Alfred de Musset e o poeta americano Edgard Allan Poe, dão credibilidade ao trabalho mediúnico de Mme. W. Krell, que na prosa, recebia também constantes comunicações do Espírito de Verdade, Dumas, Lacordaire, Lamennais, Pascal, Esopo e Fénelon, dentre outros.


Deus, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade!

Deus, Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai, Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!
Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes.
Piedade, Senhor, para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre.
Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.
Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.

E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.
Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.
Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.
Assim Seja.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Arquivo ISTOÉ: Cartas do Além



Mensagem para você  
Edição 2048 - 11 FEV/2009

Como as pessoas que creem na comunicação com os mortos transformaram suas vidas a partir de cartas psicografadas

Por Suzane Frutuoso


SUPERAÇÃO As cartas ajudaram Jakson e Rosário a tocar a vida




Os resíduos brancos do sal marinho ainda estavam nos cabelos longos, lisos e escuros de Jeison quando sua mãe, a dentista Maria do Rosário Sosa, 58 anos, encontrou seu corpo. Filho único, o rapaz morreu afogado aos 15 anos, enquanto surfava na praia gaúcha de Capão da Canoa, em 1993. "Era como se tivéssemos morrido juntos. Passei um ano chorando", diz Rosário. Na tentativa de digerir o sofrimento intenso, ela e o marido, Jakson, 57 anos, deixaram Porto Alegre, onde moravam, para recomeçar a vida em São Paulo. Na capital paulista, por meio de familiares, conheceram o espiritismo. Quem visitou primeiro um centro foi Jakson. Ao contar sua perda, uma das voluntárias do lugar disse a ele que o espírito de um rapaz, com as mesmas descrições da história de seu filho, já deixara uma mensagem a um médium. "Eu sou um surfista que partiu nos mares do Rio Grande do Sul", teria dito. Dali em diante, detalhes como "a prancha amarela com adesivo de guitarra" batiam com o caso de Jeison. Sem conhecer nada da doutrina, o empresário ficou em choque. Semanas depois, junto com a esposa (eram católicos não-praticantes), passou a frequentar a casa e receber cartas de Jeison - que hoje somam mais de 100. "A prancha na qual parti retorno no mesmo embalo trazendo comigo os beijos que lhe dou com um estalo", dizia uma das primeiras mensagens do jovem. "Ele sempre repetia 'mãe, um beijo com um estalo para você'", lembra Rosário, emocionada.


A perda de uma pessoa amada é uma das maiores tristezas que alguém pode viver. Rosário e Jakson só retornaram à alegria quando passaram a ter convicção de que o filho está bem, presente como sempre, e que, como depois de uma longa viagem, será possível reencontrá-lo. E, segundo o casal, quem garante tudo isso é ele mesmo, por meio de uma carta. Essa paz era o que faltava para se reerguerem e buscarem ser pessoas melhores a cada dia como gratidão pela bênção de ter notícias do rapaz. A psicografia tem esse poder. Para muitos, o fenômeno em que médiuns transcreveriam mensagens enviadas por espíritos (leia quadro) prova que a vida não acaba com a morte física. Numa nação em que 20 milhões se consideram simpatizantes do espiritismo e 2,3 milhões declaram seguir a doutrina fundada pelo francês Allan Kardec, as mensagens psicografadas chegam às mãos de milhares de crentes - ou não - todos os dias nos 12 mil centros espalhados pelo País, segundo dados da Federação Espírita Brasileira.
Mensagens psicografadas já serviram até como prova em processos judiciais. O caso mais recente aconteceu em Viamão, no Rio Grande do Sul, em 2006. Iara Barcelos, acusada pelo assassinato do amante, Ercy Cardoso, foi absolvida pelo júri depois que a defesa apresentou uma carta psicografada por um médium que teria sido enviada pelo espírito de Ercy. Iara não quis falar sobre o caso. O advogado dela, Lúcio de Constantino, disse que a carta foi uma prova relativa, que "somada às outras firma o contexto probatório". Valter da Ros a Borges, exprocurador de Justiça em Pernambuco (e um dos pioneiros no Brasil da parapsicologia, estudo dos fenômenos incomuns da mente humana), diz ser possível aceitar a carta psicografada como prova com base no Artigo 332 do Código Civil: "Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos." E no Artigo 157: "O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova." Mas o especialista alerta que uma psicografia só pode ser válida em um processo "se reforçar outras provas ou trouxer um fato novo."





No Brasil, há outros três casos de homicídio em que a decisão judicial se fundamentou em comunicações mediúnicas psicografadas por Chico Xavier. Foram absolvidos José Divino Gomes, em Goiás, em 1976; José Francisco Marcondes de Deus, em Mato Grosso do Sul, em 1980; e Aparecido Andrade Branco, no Paraná, em 1982. Durante 13 anos, entre as décadas de 70 e 80, o criminólogo Carlos Augusto Perandréa pesquisou mensagens psicografadas por meio da grafoscopia, técnica que estuda a grafia usada em perícias, na avaliação de assinaturas de bancos e no Judiciário. O resultado indicou que as assinaturas nos textos psicografados eram idênticas a das pessoas que morreram. A parapsicóloga forense americana Sally Headding, que se tornou conhecida do público pelo programa Investigadores psíquicos, do canal a cabo Discovery Channel, afirmou à ISTOÉ que é preciso cuidado ao buscar soluções na psicografia. "Charlatões que anunciam ter dons especiais e usam isso para manipular pessoas sensibilizadas estão espalhados por todo lugar", diz ela.



A literatura psicografada também é um fenômeno - de vendas. O segmento de livros espíritas é um dos que mais crescem anualmente na área editorial. De acordo com a Associação das Editoras, Distribuidoras e Divulgadoras do Livro Espírita (Adeler), em 2008 o aumento registrado foi de 15%, com dez milhões de exemplares vendidos e mais de dez mil títulos. As obras campeãs foram Nosso lar, de Chico Xavier, Vencendo o passado e Onde está Tereza, ambas de Zibia Gasparetto. Com os livros a psicografia ganhou visibilidade. Chico se tornou referência a partir da década de 70, tanto com as cartas psicografadas que redigia em Uberaba, Minas Gerais, para pessoas de todas as religiões e cantos do Brasil que faziam fila na porta de sua casa, quanto com a literatura espírita. Já os livros de Zibia, com um marketing eficiente, se tornaram presença garantida na lista dos mais vendidos de temas em geral.

A crença nas mensagens do além se fortalece pela riqueza de detalhes sobre a convivência da pessoa com seus familiares ou sobre o momento da morte, revelações, afirmam os envolvidos, que o médium não teria como saber se alguém não lhe contasse. Uma carta psicografada foi a única coisa que trouxe a empresária paulistana Ivani Tereza Cury, 60 anos, de volta à vida.

Em 1989, seu filho Emerson, 17 anos, levou um tiro quando estava num carro com amigos. Cansado de estudar, quis sair um pouco para espairecer um dia antes do vestibular para engenharia.


O motorista do carro ao lado do que estava Emerson não gostou de pedir passagem e não ser atendido. No semáforo, desceu do carro e atirou aleatoriamente no veículo. O rapaz permaneceu cinco dias em coma, até morrer. "Fiquei revoltada. É uma dor tão forte", lembra Ivani.
Amigos lhe deram livros de Chico Xavier e a levaram para assistir a palestras sobre espiritismo. Até que, meses depois, recebeu o primeiro recado do filho. "Em outras vidas fui ruim e tive que passar por isso", dizia a mensagem. No espiritismo, acreditase que pagamos hoje por erros de vidas passadas. "Foi difícil aceitar. Mas, quando Emerson passou a dar detalhes de acontecimentos da nossa família, não tive mais dúvida", diz. A primeira vez que Ivani teve certeza foi numa manhã na qual, sentindo uma mistura de saudade e raiva, começou a gritar no quarto dizendo que Deus ficara de braços cruzados permitindo a morte de seu filho. De tarde, ao chegar ao centro espírita, havia uma mensagem para ela: "Mãe, Deus não estava de braços cruzados", dizia.



MEU AMOR, CUIDE DE NOSSAS PÉROLAS

A autoconfiança que a mulher, Suzana, teve em vida o catarinense Edson Coelho Gaspar - espírita há 20 anos - reconhece nas palavras das mensagens que o espírito dela envia por meio da psicografia. Morta em setembro após um atropelamento, aos 44 anos, Suzana procura confortar o marido nas cartas, indicando que o tempo diminuirá a dor e que as filhas de 10 e 7 anos precisam dele. Ela enviou um acróstico (texto em que a primeira letra de cada frase forma uma palavra), hábito que tinha desde a adolescência, com as iniciais do nome do marido. É a carta a seguir. A primeira parte indica que a mãe de Edson, também já falecida, estava perto de Suzana.
"Ermínia chega e abraça / Dson (seu filho adorado). / Somos duas que dizemos / o quanto o temos amado. / Nunca te abandonaremos. /Como tudo está difícil / o importante é seguir. / Então, meu amor, prossegue. / Lutas, conquistas por vir. / Humildade e alegria./ O mais virá no porvir. / Gostar é pouco pra nós. / Amor é que nos enlaça. / Sabes que sempre estarei / para o que der e vier. /Amor, as nossas princesas / risos e amor."
Depois disso, Ivani deixou de ser uma católica não-praticante e mergulhou no espiritismo. Hoje, ela também acredita que Emerson interveio no sequestro relâmpago da irmã Roberta Cury, 35 anos, em 2003. No carro com o filho de três anos, ela chorava pedindo ao sequestrador que não lhe fizesse nada, pois sua mãe já perdera um filho e não aguentaria novamente essa dor. "De repente, ele parou o carro e disse que, pelo meu irmão que estava no céu, me deixaria ir embora sem levar nada", conta Roberta. Em 25 de novembro de 2008, o espírito de Emerson mostrou à família como agiu: "Peço licença para a aventura-desventura da Roberta no sequestro relâmpago (...) dando uma de anjo da guarda para a mana", dizia a mensagem.

A psicografia alcançou tamanha popularidade graças às respostas que dá, mesmo subjetivas, devolvendo esperanças a quem perdeu uma pessoa querida. A reportagem de ISTOÉ presenciou uma sessão, em São Paulo, conduzida por Marilusa Moreira Vasconcellos, uma das médiuns de psicografia mais respeitadas no espiritismo. Enquanto ela recebia as mensagens em uma sala fechada (há também demonstrações em público, mas depende do dia e do lugar), 13 pessoas participavam de uma palestra sobre a doutrina e oravam. Elas aguardavam o contato de filhos, esposas, mães que partiram.

Cerca de uma hora e meia depois, Marilusa retornou, chamando as pessoas pelo nome. Não há como não se emocionar. Valquiria (ela não quis revelar o nome todo) tremia e chorava ao ler as palavras que teriam sido ditadas pelo espírito do marido, Jocimar, morto seis meses atrás. "Te amo mais do que demonstrei", foi a frase apontada na carta por Valquiria, que teve de ser amparada por uma amiga para ir embora. Rosana Elias sorria e enxugava as lágrimas, enquanto lia a carta da mãe, morta há dois anos, após uma cirurgia no coração. "Ela era minha grande companheira. É difícil, mas as cartas ajudam", conta Rosana. Desde o falecimento da mãe, ela corre centros espíritas na busca de mais um contato. Para Rosimeire Galiazzi, saber que a filha Bianca, morta aos 17 anos de meningite, está bem em outro lugar "alivia a saudade".

Para especialistas, a verdade da psicografia é baseada na fé. "A pessoa está sensível e baixa a guarda quando recebe uma mensagem dessas. A credibilidade de quem envia também é fundamental", afirma o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Mas não entro no mérito se existe ou não.

O que importa é quem recebe a mensagem acreditar para se sentir confortado." Na opinião do pesquisador Valter da Rosa Borges, a psicografia é uma manifestação psíquica que acontece por telepatia, cujo conteúdo se origina do inconsciente da outra pessoa, o qual o médium seria capaz de alcançar. "Procedimentos psicoterapêuticos convencionais podem resgatar a pessoa da dor. A fé, porém, fornece segurança e sentido existencial", diz Borges.

Quem perde um ente querido e o reencontra por intermédio de mensagens, costuma passar por intensas transformações. "A certeza da sobrevivência após a morte mobiliza as pessoas a algum tipo de mudança, levando a uma atuação diferente ou à maior amplitude de visão do mundo", afirma a médium Marilusa. "Daí a nascerem obras assistenciais é imediato." Ivani, mãe de Emerson, diz que o egoísmo de se preocupar apenas com os problemas dela deu lugar à generosidade e, hoje, ela se dedica ao trabalho voluntário com gestantes e mães carentes num lar espírita. Rosário, mãe de Jeison, afirma que seus valores mudaram. "Antes, a segurança financeira era fundamental. Mas me senti pequena em pensar assim depois da partida do meu filho. Ajudar é o que me interessa, não ter o carro do ano", diz.

A caridade é um ponto central do espiritismo e, segundo especialistas, as pessoas acabam considerando um pedido da pessoa que partiu ainda mais urgente. Jakson, engenheiro e físico até então cético, afirma que o espírito do filho Jeison demonstrava preocupação com as crianças - assim como quando estava vivo - tanto nas cartas quanto na comunicação que os dois iniciaram. "Anoto ideias nunca imaginadas que ele me envia por pensamento. Não ouço sua voz, mas sinto suas palavras", garante Jakson. Numa dessas inspirações, Jeison teria dito ao pai: "Por que não fazer um instituto para ajudar crianças?" Ele levou adiante a proposta. Em 1996, surgia a ata de fundação do Instituto Jeison da Criança, com sede no Jardim Novo Santo Amaro, bairro carente de São Paulo, que realizou 1.790 atendimentos odontológicos em 2008 e distribuiu cestas básicas para famílias cadastradas. Rosário trabalha lá como dentista, enquanto Jakson cuida da administração. A despesa mensal de cerca de R$ 10 mil fica por conta do casal. O próximo passo é abrir uma sala para aulas de computação no local. Logo após a fundação do instituto, Jeison disse em uma carta: "Vocês estão tecendo o caudal de luz para as crianças minhas amigas." As palavras rebuscadas de Jeison são explicadas pelo espiritismo, para o qual continuar estudando faz parte da evolução. Rosário diz ainda que Jeison sempre mostrou interesse por poesias e seu vocabulário era mais rico do que o da maioria dos adolescentes.

Segundo a doutrina espírita, o desencarnado (como são chamadas as pessoas que morreram) pode levar dias ou anos para se comunicar. Com o contato rápido do espírito da mulher, Suzana, o professor de dança de salão catarinense Edson Coelho Gaspar, 45 anos, viu seu sofrimento aliviado e assim pôde recuperar forças, voltar ao trabalho e cuidar das filhas de 10 e 7 anos. "Edson, meu amor, obrigada pela luz que deste. Nossas pérolas precisam de você. Não se entregue agora. Saudade sim, tristeza não", dizia a primeira mensagem de Suzana para o marido, que chegou apenas quatro dias após sua morte. Ela morreu em decorrência de um atropelamento em setembro do ano passado.

Espírita há mais de 20 anos, Edson diz que a comunicação por meio da psicografia dá a sensação de que a pessoa amada está apenas longe, mandando notícias. "É como se fosse uma grande viagem", afirma o professor.

"Mas é uma lapidação dura do espírito para nossa evolução." Quando lê as cartas de Suzana para as filhas, as meninas sorriem. Aos que recebem uma carta de alguém querido a quem não podem mais tocar, beijar e abraçar, letras, assinaturas e até o conteúdo acabam não importando tanto. Mesmo sem uma indicação forte que demonstrasse realmente ser a filha Bianca nas palavras que a mensagem trazia, Rosemeire - um das pessoas presentes na sessão de psicografia da médium Marilusa - não tinha dúvida. "É ela aqui", dizia, enquanto segurava a carta, a qual olhava com o carinho com que só uma mãe pode olhar um filho. Uma alegria que resulta em serenidade, compreendida apenas por quem sente uma saudade que ultrapassa a eternidade.










quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Novo livro de Joanna em Janeiro de 2012

A EBM Editora lançará, em janeiro de 2012, a nova obra de Joanna de Ângelis pelo médium Divaldo Franco, "Liberta-te do Mal". O eminente baiano fará algumas palestras para o lançamento do livro em algumas cidades brasileiras.

A sinopse liberada pela editora:
A obra, cujo fulcro central é a abordagem de questões relacionadas às problemáticas sociais e existenciais, apresenta, por meio de capítulos suscintos, oportunidade ímpar de reflexão acerca do comportamento do indivíduo enquanto ser social e espiritual em constante transformação.

Em Liberta-te do Mal a autora espiritual Joanna de Ângelis, baseada nas vigorosas lições de Jesus e nas sábias diretrizes do Espiritismo, discorre a respeito de um tema relevante: as causas justas das aflições, essas advindas da prática irrefletida do mal. Considerando-se que não existe o mal em si, sendo esse apenas a ausência do Bem, e nem tampouco tenha sido criado por Deus, a sua presença na vida do indivíduo deve-se tão-somente à infração às leis de Deus.

A obra ainda aborda outros aspectos de interesse geral: a comprovação da nossa imortalidade, a terapia do perdão, a lei da reencarnação, dentre outros, salientando a importância do despertar do espírito rumo ao caminho da libertação dos fatores que medram o sofrimento. E, certamente, Jesus estará esperando no fim dessa trilha percorrida por aqueles que tiverem a coragem de completá-la.

Para tanto, Joanna de Ângelis ressalta o poder curador do Amor, entendido como o instrumental inaugural e essencial a capacitar o ser ao triunfo, à conquista de si próprio, pela erradicação do egoísmo e do orgulho e pela promoção humana, sintetizada na prática constante da amizade, da compreensão, da ajuda mútua e do respeito que deve reverenciar a incessante obra da Criação.

Excesso de carência pode se transformar em chatice!

Rosana Braga
Rosana Braga é Palestrante, Jornalista, Consultora em Relacionamentos 
e Autora dos livros "O PODER DA GENTILEZA" e "FAÇA O AMOR VALER A PENA", entre outros.
www.rosanabraga.com.br


Há quem se sinta orgulhoso em declarar: "sou carente!" Veja: existe uma enorme diferença entre acreditar que você está carente e se perceber como uma pessoa carente. Uma condição é temporária, circunstancial, enquanto que a outra é determinante, parte de sua personalidade.

Então, a partir de hoje, sugiro que você se disponha a, no máximo, estar e não ser carente! Alguém que está carente é porque está se percebendo sem alguma coisa e sentindo falta. Portanto, é absolutamente compreensível quando se usa o termo para expressar vontade de receber carinho, atenção e amor. Inclusive, se a expressão for feita de modo consciente, pode denotar maturidade e autoconhecimento.

Entretanto, é preciso cuidar para não cair na armadilha do excesso. A linha que separa a dose gostosa e saudável da dose perigosa e sufocante é tênue, quase imperceptível, especialmente para quem vive se sentindo assim, carente!

O fato é que excesso de carência costuma se transformar em chatice. 
O processo é mais ou menos assim: a pessoa começa a se sentir sem atenção, sem carinho, abandonada, rejeitada e substituída por outras pessoas ou situações. Sem saber como lidar com esses sentimentos (que são dela!), culpa o outro. Ou seja, "estou assim porque fulano não me dá atenção!". Pronto! A arapuca está armada!

Os próximos passos incluem cobrança, pressão, chantagem emocional, percepção distorcida dos acontecimentos e das atitudes das pessoas, julgamentos parciais, colocar-se no papel de vítima da vida e dos "egoístas, insensíveis", e por aí vai.

Convenhamos: atitudes totalmente ineficientes e desastrosas, que só servem para que o carente consiga exata e justamente aquilo que ele mais teme: afastar as pessoas que ele mais ama. Sim, claro, porque quem gosta de ser cobrado, pressionado, julgado e acusado?

Como resolver o problema? Simples, embora nem sempre fácil. Mas proponha-se a tentar, pelo menos. As chances de dar certo são grandes, posso apostar! Pense comigo: se você quer atrair um peixe para sua vara, o que faz? Vai até a beira do lado e xinga o peixe? Grita com ele dizendo que ele deveria estar ali, à margem, para que você pudesse pegá-lo? Joga pedra nele? Acusa-o de insensível por não perceber a sua fome e as suas necessidades? Creio que não.

Você usaria como isca algo de que ele gosta, não é? Parece óbvio? Então, use a mesma técnica para lidar com sua carência. Em primeiro lugar, compreenda que quem está carente é você. A responsabilidade, em princípio, é sua e não do outro. Você pode até solicitar a ajuda dele, de forma inteligente, para aplacar sua necessidade de carinho e atenção, mas o sentimento continua sendo seu.

Por isso, vasculhe dentro de si e procure as iscas que pode usar. Dicas? Que tal se comportar como uma pessoa atraente, interessante e sedutora? Que tal bom humor, compreensão, companheirismo, elogios, um presentinho talvez, mais paciência, mais sex appeal, mais empatia, mais gentileza? Mas tem de ser de verdade e não fake, só para conseguir o que quer. Tem de ser seu. Tem de ser você!

Verdade seja dita: essas iscas podem não garantir que seu "peixão" seja fisgado, mas vai garantir, sim, que você não se transforme num chato-ambulante.

Um passo adiante


Por Filipe Rios (SEEB)

“O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e lançou no seu campo; o qual grão é na verdade, a menor de todas as sementes, mas depois de crescida é a maior das hortaliças e faz-se árvore, de tal modo que as aves do céu vêm pousar nos seus ramos.”
(Mateus, VIII, 31-32 – Marcos, IV, 30-32 – Lucas, 18-19.)


Nós já temos o nosso grão de mostarda, o nosso “Reino dos Céus”. Já temos uma parte de Deus em nós. São as leis morais. Por mais que lutemos contra, sempre teremos uma voz interna, um instinto, algo que nos impele a agir conforme a bondade e a justiça divinas. Não há como resistir a essa “força” sempre que queremos. Acredito inclusive que muitas vezes é assim que surgem sentimentos de culpa e muitos arrependimentos. A culpa, nesse caso particular, é apenas uma forma humana, ainda desequilibrada, de sentir que não agiu para o bem.
Instintivamente, temos toda a matéria-prima que precisamos. Vejo os espíritos como seres em que essa semente foi plantada. Muitos ainda nem se deram conta disso. O estudo é uma ferramenta importante para esse cultivo. Jesus nos deixou o seu exemplo e uma grande biblioteca de ensinamentos para estudarmos nos Evangelhos. Mas, somente com a fé, acreditando que esta semente existe e já foi plantada em nós e com as mudanças, que o esclarecimento trazido pelo estudo vão nos permitir realizar em nós mesmos, é que estaremos cultivando nossa pequena semente de mostarda.
A auto-análise, regada pelo conhecimento, é sim uma chave para as portas que levam ao crescimento. É o primeiro passo de uma longa caminhada rumo à compreensão e aceitação de si. Com estes obstáculos vencidos, pode-se falar em se conhecer e mudar comportamentos. Daí então é que começamos a perceber centelhas do “Reino dos Céus” em nossa volta. Quando mudamos de posição, mudamos o que está à nossa volta e essas mudanças são contagiosas.
E não falo aqui somente de conhecimentos científicos e filosóficos. Não que sejam desnecessários, muito pelo contrário. Mas enfatizo uma forma de conhecimento que não tem como ser adquirido ao ler nos livros nem é possível explicar em palavras. Um conhecimento que só dá pra sentir. A cada passo na direção dele, é possível sentir que foi dado um passo na direção correta. É reconhecer-se humano, cheio de sentimentos e confusões, e colocar-se numa eterna posição de aprendiz, compreendendo que a semente, por menor que seja, possui tudo o que é necessário para gerar uma planta completa e que cabe a nós fornecer a terra com os nutrientes e proteger do mau tempo e dos maus tratos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Os dragões - Legiões das trevas



Entrevista realizada com o médium Wanderley Oliveira, sobre o  livro "Os Dragões – O diamante no lodo não deixa de ser diamante", pelo espírito Maria Modesto Cravo
NOTA DO BLOG DA SEEB: Já li este livro e achei uma leitura muito interessante. (Ariston Venancio)
Qual é o tema central da obra?
O livro, publicado pela Editora Dufaux, é um romance cujo tema central é a história de Matias, uma alma atormentada que serviu durante séculos à comunidade dos dragões.
A autora espiritual tece um enredo leve e comovente no qual Matias, após o arrependimento, reencarna como médium sob orientação do espiritismo.
A cronologia do romance revela fatos ocorridos no movimento espírita brasileiro entre os anos de 1936 a 1964, período em que ocorreu o clímax de uma ação organizada pelos benfeitores no mundo espiritual para reencarnar milhões de corações que foram libertados de um dos mais tristes locais de maldade na erraticidade: o Vale do Poder.
O tema central do livro nos levará a perceber que, a maioria dos seguidores da mensagem do Evangelho, nos mais diversos segmentos cristãos, guardam algum tipo de laço com os dragões.
Quem são os dragões?
É a mais antiga comunidade da maldade que se organizou socialmente nas regiões chamadas subcrostais ou submundo astral. Segundo o romance, ela existe há 10 mil anos.
Essa comunidade, administrada por inteligências do mal, criou a Cidade do Poder e sua hierarquia é composta pelos “dragões” legionários, justiceiros e conselheiros. São espíritos que fazem o mal intencionalmente.
Os dragões podem reencarnar?
Muitos desses espíritos não conseguirão mais reencarnar na Terra devido à sua condição mental desequilibrada. Não haveria como manter uma gestação em tal nível de vibração. Serão deportados para outros mundos onde reiniciarão o seu progresso.
Contudo, muitos deles, quando tomados pelo arrependimento, reencarnam aqui no planeta e se melhoram.
No livro é abordado um modelo de psicologia usado pelas trevas. Que modelo é este?
Os dragões já utilizam um modelo de psicologia há mais de 300 anos para dominar e explorar.
Esse modelo pode ser compreendido da seguinte forma: imagine três círculos, um dentro do outro. No primeiro círculo de dentro escreva baixa autoestima. No círculo a seguir está a idealização. E no último círculo estão o melindre, o perfeccionismo e a intolerância.
Os dragões sabem que a doença psicológica básica em um planeta como a Terra é a escassez de estima pessoal, como um resultado de milênios no egoísmo. Quem tem baixa autoestima, idealiza a vida, as relações, as metas. Vive uma vida muito imaginária e distante do que é real. E quem idealiza em excesso torna-se muito melindroso, perfeccionista e intolerante.
Claro que, colocando de forma tão sintética, talvez surjam muitas dúvidas, mas o livro tece muitas abordagens sobre o assunto.
Costumo dizer que Os Dragões é um romance de autoconhecimento, porque, na verdade, a autora espiritual faz estudos muito profundos e fáceis de entender sobre o psiquismo humano.
Então, a baixa autoestima é o núcleo deste modelo?
Sim. Sob o enfoque espiritual, essa doença não é apenas o resultado de traumas e limitações sofridas na infância. Além disso, Maria Modesto Cravo explica, no livro, que esse estado psicológico caracteriza a maioria esmagadora dos habitantes terrenos, em maior ou menor escala, conforme os compromissos assumidos por cada criatura em sua consciência.
Qual o ponto de maior fragilidade nos centros espíritas que é explorado pelos dragões?
A convivência.
Os dragões sabem muito bem que não lidamos bem com nosso mundo interior e, consequentemente, projetamos isso nos relacionamentos.
As condutas mais exploradas para gerar conflitos na convivência são: maledicência, culpa, mágoa, rigidez, preconceito, irritação, julgamento, entre outras.
Quais os laços entre a comunidade espírita e os dragões?
A obra nos informa que muitos dragões reencarnaram nas religiões cristãs, e deixa claro que inúmeros regressaram ao solo brasileiro, inclusive, no seio do movimento espírita. Reencarnaram arrependidos e ansiosos pelo recomeço. Retornaram e foram iluminados pelo conhecimento espírita para sua remição consciencial.
Depois deste retorno de multidões ao movimento espírita brasileiro, a comunidade dos dragões passou a uma perseguição implacável aos espíritas, no intuito de inviabilizar as noções sobre como o mal organizado pretende dominar as sociedades e impedir o esclarecimento espiritual dos povos.
Fique à vontade para nos dar uma mensagem final sobre o livro Os Dragões.
Gostaria de reproduzir uma pergunta que fiz à autora espiritual, Maria Modesto Cravo, e a sua resposta repleta de sabedoria:
“Vemos muitas pessoas que não conseguem ler livros cujo conteúdo versa sobre as trevas. Nesse sentido, a senhora teria algo a dizer sobre Os Dragões, o trabalho que terminamos há pouco tempo?”
“Nossa reflexão nesta obra é apenas uma pequena fresta para que o homem, iluminado com o conhecimento espírita, perceba a natureza de nossos desafios e compromissos com as esferas subcrostais.
Falamos menos das trevas de fora que daquelas que trazemos por dentro.
Para quem deseja implantar a luz e o bem, é, no mínimo, uma obrigação conhecer nossos laços com as comunidades dos dragões”.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Arquivo IstoÉ: As Crianças e o Além

| N° Edição: 1942 | 17.Jan.2007

Relatos de comunicação com espíritos revelam que a mediunidade é comum na infância. E os pais precisam aprender a lidar com a situação
Por Camilo Vannuchi e Celina Côrtes



Surpresa: sem que ninguém
lhe contasse, Roberto sabia
de detalhes sobre a bisavó que
morreu antes de ele nascer


Diana embalava o filho em frente a uma parede repleta de fotos na casa de sua mãe, em Brasília. Uma delas, envelhecida pelo tempo, chamou a atenção do pequeno Roberto, então com pouco mais de um ano. O garoto apontou a jovem que aparecia no retrato: “Vovó.” A mãe achou estranho. “Sim, esta era a minha avó, sua bisa”, explicou. E perguntou como ele adivinhara, já que ninguém havia mostrado aquela imagem ao menino. Roberto apenas tocou o colo da moça no retrato. “Dodói”, disse. Na foto, nenhum machucado aparente. O assombro tomou conta da sala quando Liana se recordou que a avó, já idosa, faleceu em decorrência de um câncer de mama. “Meu filho sabia daquilo sem que ninguém tivesse lhe contado”, resume o pai, Ricardo Movits. Ninguém deste mundo, é bom ressaltar.

Antes de tachar a história do menino Roberto de mentira, fantasia ou maluquice, vale lembrar que Chico Xavier, o maior médium brasileiro, teve sua primeira experiência mediúnica aos cinco anos, quando sua mãe faleceu e, em espírito, passou a visitá-lo. Roberto, hoje com quatro anos, também diz receber a visita de parentes falecidos. E de modo assíduo. Contou que a avó freqüenta sua casa para lhe ensinar coisas sobre a vida e a morte. “Ela disse que as pessoas que morrem viram anjinhos e depois voltam a ser bebês”, afirma. Em outra ocasião, Roberto surpreendeu o pai ao comentar que o avô havia morrido porque fumava demais. “Entrou muita fumaça no peito dele”, completou. Essas supostas habilidades do menino poderiam ser explicadas por meio da mediunidade. Estudada por religiosos, psiquiatras e até neurologistas, a mediunidade é a capacidade de ver e ouvir espíritos ou realizar fenômenos paranormais – como incorporação e clarividência – por intermédio de agentes externos. Ou seja, de entidades espirituais que utilizam o corpo do médium como veículo para se manifestar.

Relatos desse tipo são cada vez mais comuns. Mesmo nos consultórios. A psicologia e a medicina, no entanto, buscam outras formas de justificar esses fenômenos. Se a criança parece possuída por uma entidade sobrenatural, por exemplo, é feito diagnóstico de transtorno de personalidade ou estado de transe e possessão, cujo tratamento alia psicoterapia e medicamentos. A comunicação com amigos invisíveis aos olhos dos pais costuma ser encarada como mera fantasia. “Há momentos em que a ilusão predomina e a criança transforma em real o que é apenas o seu desejo inconsciente”, considera a psicanalista Ana Maria Sigal, coordenadora do grupo de trabalho em psicanálise com crianças do Instituto Sedes Sapientiae. “Ao brincar com um amigo imaginário, ela nega a solidão e cria um espaço no qual é dona e senhora. Já falar com parentes falecidos é uma forma de negar uma realidade dolorosa e se sentir onipotente, capaz de reverter a morte”, acrescenta Ana Maria.

A interpretação é a mesma da maioria dos pediatras. Presidente do Instituto da Família, que estuda as relações familiares, o médico Leonardo Posternak afirma que esse tipo de fantasia permite à garotada chamar atenção. Segundo ele, as crianças percebem se os pais demonstram admiração por seu suposto dom. Ou se aproveitam do carinho especial recebido quando os pais desconfiam que o filho tem algum distúrbio psíquico. Mas e quando surgem fatos capazes de assombrar os mais céticos, como o pequeno subitamente falar outra língua? “É importante que sejamos humildes para admitir que muita coisa ainda escapa à medicina cartesiana. Em vez de dizer aos pais que o filho não tem nada ou que os sintomas vão passar, seria mais honesto dizer que a medicina vigente não é capaz de diagnosticar o que se passa com ele”, afirma Posternak. O presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Pediatria Infantil, César de Moraes, lembra que o estado de transe e possessão, embora citado no Código Internacional de Doenças, ainda não foi esclarecido. “Pode resultar de alguma desordem física ou mental ou, de fato, ser obra do sobrenatural”, sugere.

No vácuo deixado pela medicina, avançam cada vez mais as explicações alternativas que conciliam ciência e transcendência. Se uma criança descreve e dá nome a um amigo imaginário e a família descobre, ao investigar, que a descrição corresponde à de uma pessoa de verdade, que habitou a casa no passado, a linha entre ficção e realidade desaparece. É o que assegura Reginaldo Hiraoka, coordenador do curso de parapsicologia das Faculdades Integradas “Espírita”, a única do gênero no Brasil, em Curitiba. “O mesmo ocorre quando crianças afirmam se lembrar de vidas passadas e citam episódios verídicos sem jamais terem ouvido algo a respeito”, acrescenta. Para estudiosos da parapsicologia, há uma alta freqüência de relatos sobrenaturais na infância devido ao fato de a mediunidade, inata a todas as pessoas, ainda não ter sido reprimida nessa fase. “Crianças com menos de sete anos não vêem nada de anormal nessas experiências”, afirma a psicóloga infantil Athena A. Drewes, consultora daParapsychology Foundation, com sede em Nova York. “Elas as aceitam até que outras pessoas comecem a reagir negativamente a seus relatos. O bloqueio ocorre ao entrarem na escola e descobrirem que nem todos vivem as mesmas experiências.”

Mas nem sempre a convivência com o sobrenatural é tranqüila. Às vezes, os amiguinhos imaginários são substituídos por monstros que atrapalham o sono dos pequenos e os tornam arredios, agressivos ou profundamente tímidos. Como no filme Sexto sentido, de Night Shyamalan, crianças se dizem assombradas por imagens de espíritos que vagam com ferimentos ou fraturas expostas, exatamente como estavam quando morreram. Segundo a doutrina espírita, isso acontece
quando os espíritos desencarnados não conseguem se desprender do plano físico, seja por não terem se dado conta da morte, seja por não a aceitarem. Também é possível que um espírito persiga uma criança por ter sido ligado a ela em uma vida pregressa. “Imagine se seu bebê foi uma pessoa má na encarnação anterior e prejudicou alguém que, agora, se sente no direito de atrapalhar seu caminho”,
cogita a autora do livro Mediunidade em crianças, Agnes Henriques Leal. Conforme
a tese espírita, é possível que esse filho sofra horrores com a influência de
seres assustadores.

Nessas horas, de acordo com o espiritismo, a criança deve ser encaminhada a tratamento com passes para dispersar energias negativas. Os espíritas podem ainda trazer a entidade a uma reunião no centro – por intermédio de um médium – para tentar demovê-la da perseguição. Leituras diárias do Evangelho também ajudariam. “Se os pais não participarem do processo de cura, nada será atingido. Para tanto, deverão conhecer a doutrina e se dispor a estabelecer, no lar, um clima vibratório de harmonia e paz”, ensina o médium paraense Nazareno Tourinho, autor de Experiências mediúnicas com crianças e adolescentes. Ele ressalta, no entanto, que nenhum auxílio científico deve ser desprezado. “Primeiro, deve-se procurar um profissional de saúde. Se o resultado não for satisfatório, resta buscar ajuda de espíritas competentes”, orienta.

Outra opção é consultar um especialista que seja ao mesmo tempo médico e religioso. Há muitos psiquiatras adeptos do espiritismo que atendem crianças e adultos atormentados por fenômenos inexplicáveis. Um deles é Sérgio Felipe de Oliveira, diretor da Associação Médico-Espírita de São Paulo e autor da tese de que a mediunidade nada mais é do que uma atividade sensorial – como a visão e o olfato – capaz de captar estímulos do mundo extrafísico. O órgão responsável pela mediunidade, diz Oliveira, é a glândula pineal, localizada no cérebro, que controla também o ritmo de crescimento e, na adolescência, avisa a hora de dar início à liberação dos hormônios sexuais. Descrita por Descartes como a sede da alma em 1641, a pineal tem sido pesquisada há séculos, e, desde a década de 1980, é comprovada sua capacidade de converter ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos. Para confirmar sua tese, Oliveira realizou diversos exames neurológicos (como tomografia e eletroencefalograma) em pacientes em transe. “Verificamos a atividade na pineal durante esses momentos. Ela é uma espécie de antena que capta estímulos da alma de outras pessoas, vivas ou mortas, como se fosse um olho sensível à energia eletromagnética”, diz.

Mesmo que não veja ou ouça espíritos desencarnados, é a mediunidade que faz com que uma criança seja capaz de sentir se um ambiente está carregado e a faz chorar quando um estranho com energias ruins a pega no colo. Em sua clínica, Oliveira não descarta o uso de medicamentos, mas não tem dúvida dos benefícios da atividade espiritual, prescrita por ele como terapia complementar. Oliveira diz que, antes de se afirmar que uma criança está sob influência de um espírito, é preciso descartar as hipóteses de fantasia e de distúrbios psíquicos. A primeira etapa é entrevistar o paciente em busca de elementos que não poderiam ser ditos por ele. “É difícil diagnosticar como fantasiosa uma criança de três anos que se põe a analisar quadros de Botticelli ou a conversar em francês sem nunca ter estudado o idioma”, exemplifica. Finalmente, exames neurológicos são feitos para se verificar se a atividade no cérebro é equivalente à registrada em convulsões ou surtos de epilepsia. Normalmente, a reação é outra.

Médicos adeptos do espiritismo afirmam que a infância é o período em que a ação da glândula pineal está no auge, embora a criança não tenha o arcabouço intelectual necessário para interpretar os estímulos de forma consciente. Com o desenvolvimento completo do cérebro, a mediunidade seria sublimada na maioria das pessoas. Ou voltaria ainda mais forte naqueles que aprenderam a exercitá-la. No Livro dos médiuns, Allan Kardec, codificador da doutrina, avisa que a mediunidade não deve ser estimulada em crianças, o que pode ser perigoso, já que os organismos delicados das crianças sofreriam grandes abalos. “É de se desejar que uma criança dotada de faculdade mediúnica não a exercite, senão sob a vigilância de pessoas experientes”, escreveu. Por esse motivo, em geral os pais são orientados a não incentivar os filhos a exercê-la. “Muitas crianças sentem dor porque o corpo não está preparado para receber esse impacto”, diz a psicóloga Inês Ignácio, do Centro Espírita Francisco de Assis, no Rio de Janeiro.

Em outras religiões espiritualistas, como candomblé e umbanda, a presença de crianças nos rituais costuma ser permitida. Muitos templos oferecem acompanhamento adulto para a iniciação. “É preciso freqüentar o centro como se fosse uma escola”, alerta Aguinaldo Cravo, adepto do candomblé e babalorixá na Casa de Caridade Cabana de Oxossi, no Rio de Janeiro. Crianças também exercem sua religiosidade nas giras de umbanda do Templo Cacique Pai Pena Branca, em São Paulo. “Algumas já têm um canal de vidência elevado, enquanto outras só vêem vultos e precisam desenvolver seu dom”, diz a ialorixá Mãe Norma de Iansã, que oferece aos domingos um curso de mediunidade aberto às novas gerações. Delas surgirá, quem sabe, um novo Chico Xavier.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Arquivo IstoÉ: Reencontrando o passado

ISTOÉ
| N° Edição: 2003 | 26.Mar.2008


Em busca de cura para dores físicas ou superação de traumas, brasileiros recorrem à Terapia de Vidas anteriores




DOR DE GARGANTA E OBSESSÃO PELA BELEZA
Já tinha procurado todo tipo de tratamento para resolver minhas crises de garganta. Cheguei a ser internada e tomei vários antibióticos, mas nada resolvia. Então, optei pela regressão. Descobri que fui uma prostituta obcecada pela beleza e alimentei uma disputa com a dona do bordel, que colocou veneno no meu vinho. Foi assim que eu morri. Depois do tratamento, deixei de me preocupar tanto com a minha aparência e as dores de garganta desapareceram.
T.C., 25 anos



A Terapia de Vidas Passadas (TVP) sempre foi vista com ceticismo por psicólogos e psiquiatras, além de ser condenada por espíritas, que consideram um erro trazer o passado de volta. Ainda assim, o interesse pelo tratamento, que transita na fronteira entre a crença e a ciência, tem aumentado no Brasil e os institutos e sociedades especializadas capacitam cada vez mais psicólogos no polêmico método terapêutico. Quem o procura são pessoas que não conseguem curar uma dor física com a ajuda da medicina tradicional ou superar um trauma com as terapias da psicologia convencional.

Muitas delas não tiveram um episódio na vida que justificasse pânico de água, pavor de lugares fechados ou multidão, ou ainda uma experiência negativa que determinasse dificuldade de estabelecer relacionamentos. Outras conviviam com dores inexplicáveis no corpo. A resposta para esses males só apareceu depois de uma regressão ao que seria uma vida anterior. “Tinha muito medo de mergulhar e procurei a TVP para entender o motivo. Foi quando descobri que morri afogado depois que o mar invadiu minha casa”, conta o paulista Paulo Minoru Minazaki Júnior, 33 anos, que hoje se sente à vontade na água. Na TVP, o indivíduo entra num processo de transe hipnótico superficial e estabelece contato com imagens e sons fora da consciência. Supostamente viaja mentalmente ao passado, onde confronta sua própria personalidade, obtém novas informações sobre o seu caráter, vivências e experiências e o mais importante: uma explicação de por que repete determinados padrões de comportamento.




MEDO DE RELACIONAMENTOS AMOROSOS
Aos 28 anos, eu nunca tinha namorado ninguém. Sempre que o relacionamento começava a dar certo, eu inventava um motivo para terminar. Procurei várias terapias convencionais, mas nada me ajudou a entender o motivo. Após a regressão às vidas passadas, descobri que tinha medo de me comprometer porque fiquei viúva nas últimas cinco vidas, poucos anos após o casamento. Precisei de algumas sessões de terapia para me recuperar e esquecer aquele passado. Hoje, sou muito bem resolvida e vivo as relações sem medo. O que passou, passou”. Vera Barroso, 40 anos






Histórias de pessoas que morreram em batalhas, foram assassinadas de forma violenta ou viveram entre a realeza antiga recheiam o repertório de quem diz ter se reencontrado numa vida anterior. Mas será que tudo não passa da imaginação? A psicoterapeuta transpessoal Suely Moliterno, que trabalha há 17 anos com TVP, refuta a hipótese e afirma que o estado de consciência, necessário para a imaginação, é praticamente eliminado na regressão. “No estado alfa, a racionalidade participa pouco do processo. A pessoa não conseguiria inventar histórias numa narrativa tão lógica”, afirma. A psiquiatra Maria Teodora Ribeiro Guimarães, presidente da Sociedade Brasileira de Terapia de Vidas Passadas (SBTVP), vai além e aposta na reencarnação. “Trata-se de fato da lembrança de uma vida passada. Estamos elaborando os protocolos científicos para validar o tratamento”, afirma.

Entre os casos apresentados pela SBTVP – que promoverá, entre os dias 22 e 24 de maio, o VI Congresso Internacional de Terapia de Vidas Passadas – está o relato de uma senhora que regrediu à vida anterior e descreveu sua história numa cidade do interior de Minas Gerais, mesmo sem nunca ter ido lá. Depois da terapia, ela foi até o local e teve acesso aos registros que comprovam a existência da pessoa que viu na regressão, além dos detalhes da sua vida pessoal. Situações semelhantes foram catalogadas no livro A física da alma, de Amit Goswami (Editora Aleph), que conta histórias de crianças em processo regressivo que, depois do tratamento, identificaram cidades, pessoas e objetos escondidos que viram durante a hipnose. O fenômeno, ainda estranho aos ocidentais, é amplamente difundido na cultura oriental. Um dos exemplos é o que ocorre durante a seleção do substituto do líder budista Dalai-Lama. O candidato deverá provar, ainda criança, que é o Buda reencarnado, recitando textos e localizando objetos sagrados, mesmo sem nenhuma informação – apenas através da regressão a uma vida anterior.

Desde o surgimento da psicanálise, o inconsciente passou a ser estudado pelo viés científico, o que permitiu que a técnica de regressão à vida intra-uterina fosse legitimada como método terapêutico. As vidas passadas, porém, permanecem confinadas ao campo místico. Mas, se a psicanálise aceita o inconsciente, a ciência deixou uma questão no ar: para onde vai a energia envolvida nestes processos mentais após a morte?




RAIVA E FALTA DE AR
Fiz terapia de vidas passadas quando me formei em psicologia, para entender o processo. Mas tive revelações sobre coisas que nem passavam pela minha cabeça. Entendi por que eu detestava duas pessoas da minha família e compreendi meu medo de lugares fechados. Descobri que estas pessoas mandaram me matar, mas eu não percebi que havia morrido. Cheguei a acompanhar o meu velório, mas sem saber que era meu. Eu sentia falta de ar em lugares fechados porque me sentia dentro de um caixão. Após a regressão, consegui aceitar a minha morte e deixei de ter raiva daquelas pessoas. Parece que eu tirei um colete de chumbo das minhas costas. Foi um alívio.
Cláudia Geminiani, 32 anos




“A consciência não morre, ela vai para um universo multidimensional em forma de elétrons”, disse à ISTOÉ Patrick Drouot, Ph.D. em física quântica, que já pesquisou mais de 30 mil pessoas em processo de regressão. Para ele, as crianças têm mais facilidade para entrar em contato com estas partículas cósmicas no processo regressivo porque estão menos presas à realidade material. “Não é possível voltar ao passado fora do estado de relaxamento porque a mente humana não comporta tanta informação”, explica. O Ph.D. em física nuclear Amit Goswami, pesquisador do Instituto de Ciências Teoréticas da Universidade de Oregon (EUA), compara a regressão às experiências de quase-morte. “É um encontro intenso com a consciência deslocada do corpo e seus diversos arquétipos através da telepatia. Para cada corpo físico há no universo um estado supramental de natureza quântica que lhe corresponde”, afirma. Segundo os físicos, esta ‘memória quântica’, armazenada em partículas no universo, é formada a partir da repetição de padrões de comportamento dos indivíduos em suas várias vidas. Em outras palavras, é o que alguns religiosos chamam de carma.

Nem todos os terapeutas da TVP julgam necessário validar a tese das vidas passadas, e focam o tratamento no discurso do paciente. “O que vale é o relato do inconsciente que revela questões desconhecidas pelo paciente as quais limitam a sua vida”, afirma Noeli Heredia, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa em Terapia Regressiva. “Independentemente de ser uma vida passada, o valor da técnica está em liberar as emoções negativas para modificar o padrão de comportamento do indivíduo e curar as suas dores”, concorda a psicoterapeuta Suely Moliterno.

Mesmo com relatos de sucesso no processo de cura de dores físicas ou de transtornos mentais, o Conselho Federal de Psicologia não reconhece a técnica. “Não há nada na ciência que comprove que o indivíduo tenha outras vidas e que possa voltar a elas”, afirma o presidente da instituição, Humberto Verona. Além disso, segundo ele, o interesse pelas supostas vidas passadas tem de vir do paciente, e jamais ser induzido pelo profissional. “Em 90% dos processos de pacientes contra a TVP, fica provada a tentativa do profissional de associar a terapia a alguma religião”, revela.




PÂNICO DE MULTIDÃO E LUGARES CHEIOS
Tinha pavor de lugares cheios. Multidões ou tumultos me deixavam transtornado. Desde criança, ficava incomodado até com as formações em fila para cantar o Hino nacional. Sempre que ia a algum lugar, ficava próximo à saída de emergência. Até que a fobia começou a me impedir de sair. Procurei a terapia de vidas passadas, apesar de não acreditar totalmente na técnica. Não sei se o que vi aconteceu mesmo ou se foi uma projeção do meu medo, mas na regressão me vi num lugar muito cheio e ouvi uma explosão muito forte. As pessoas corriam desesperadas, muito machucadas. Acordei suado, chorando e muito emocionado. Não posso negar que o resultado foi bom. Venci o medo. Lincoln
Kennedy da Silva, 40 anos




Até o poder de cura da TVP é questionável, segundo especialistas. “Existem dores físicas que são somatizadas por situações de stress e que podem desaparecer através de um processo hipnótico. Mas o problema é que elas sempre voltam, às vezes em outro local, caso não haja um acompanhamento por uma terapia tradicional”, afirma a psiquiatra Marli Piva, para quem dores musculares, crises de garganta e palpitações cardíacas são os efeitos mais comuns de stress emocional.

Não foi o que aconteceu com a carioca Ana Beatriz Berlinck, 47 anos. Vítima de fortes crises de coluna, ela procurou diversos ortopedistas e tomou todo tipo de remédio, mas nada aliviava suas dores. Sua última tentativa foi a Terapia de Vidas Passadas. Na regressão, ela descobriu que teria sido um soldado romano que morreu atingido por uma flecha no local cronicamente dolorido. Bastou se confrontar com a descoberta para se curar. “Me livrei de vez da dor, e sem remédios”, comemora.





DIFICULDADE DE MERGULHAR
Eu conseguia nadar, mas a idéia de mergulhar me apavorava. Perguntei aos meus pais se havia tido alguma experiência traumática na infância, mas eles disseram que nada havia ocorrido. Durante a regressão, descobri que morei num país parecido com a Holanda, abaixo do nível do mar. Um dique se rompeu e as ondas invadiram a minha casa. A água foi subindo pelas paredes e a porta travou. Fiquei preso, tentei salvar uma criança e morri afogado. Depois do tratamento, perdi o medo de mergulhar e entendi por que me preocupo tanto com meu irmão, que foi o filho que não consegui proteger na outra vida.
Paulo Minoru Minazaki Júnior, 33 anos



Na opinião do presidente do Conselho Federal de Psicologia, Humberto Verona, a cura acontece devido à sensação de conforto pelo fato de o paciente se identificar com o terapeuta. “Elas apenas encontraram no psicólogo uma compatibilidade de crenças que facilitou o processo terapêutico”, afirma. A psiquiatra Marli Piva acrescenta: “A pessoa já se sente aliviada só de achar uma explicação para o seu problema”, diz ela.

Para Gildo Angelotti, diretor-executivo do Instituto de Neurociência e Comportamento, de São Paulo, as vivências relatadas pelos pacientes surgem de memórias inativas que registram imagens de filmes, sons, histórias de livros e tudo que é percebido pelo indivíduo ao longo da vida. “É como um sonho. Quando a pessoa está dormindo, os sentidos são pouco requisitados e sobra mais espaço para o resgate destes registros históricos. Mas a reunião destes elementos vem da mente do próprio indivíduo, não de outras vidas.” Na opinião dele, a TVP chega a ser arriscada aos pacientes psicóticos ou esquizofrênicos, que podem ter uma reação violenta a partir das revelações ou ficarem obcecados em encontrar nesta vida as pessoas do passado.

No estado de inconsciência proporcionado pela TVP, as pessoas choram, gritam, suam, riem, narram as histórias com riqueza de detalhes e, surpreendentemente, conseguem lembrar de tudo depois que voltam à consciência. Todo o processo é filmado ou gravado em áudio, e os psicólogos pouco interferem no processo. Mas nem todos os pacientes conseguem regredir logo nas primeiras consultas. “A terapia não é indicada aos excessivamente céticos ou incrédulos em relação à regressão e à reencarnação. Eles não conseguem se desligar do mundo externo e voltar às suas outras vidas”, diz Osvaldo Shimoda, especialista em terapia regressiva evolutiva.

Na opinião da terapeuta Noeli Heredia, o importante é o bem-estar do paciente e a técnica só é válida se o profissional ajudá-lo a se desprender do passado e quebrar os padrões de comportamento no seu dia-a-dia. “As pessoas devem entender que não são vítimas, mas protagonistas da sua própria história. O paciente deve se olhar de forma crítica e perceber que é o responsável pelo que acontece na sua vida”, afirma.

Agradecimento: Fórmula Academia (SP)


Oração

Autor: Marcelo Ribeiro
Psicografia de Divaldo Franco


Senhor!

No santuário do lar, recordando a tua sábia conduta, no abençoado reduto doméstico, nós, os discípulos imperfeitos da tua mensagem de luz, erguemo-nos para rogar em favor das nossas lutas.

Ajuda-nos a amar, embora a aflição de que nos sentimos objeto:

Ensina-nos a servir, apesar dos desencantos que acumulamos;

Oferece-nos inspiração para as atividades, mesmo em face do cansaço ou do desespero que nos esmagam;

Doa-nos a alegria, conquanto as chuvas de fel nos atormentem;

Instrui-nos no serviço do bem, mesmo com as feridas não cicatrizadas das lutas renhidas;

Levanta-nos para prosseguir e perseverar!

Não somos outros espíritos...

Somos os dilapidadores da paz alheia, envergando roupagens novas;

Somos os algozes do passado, travestidos de vítimas no presente;

Somos os inquietadores agora inquietados;

Somos os semeadores da discórdia, colhendo cardos;

Somos os pomicultores da usura nas mãos da necessidade;

Recapitulamos para aprender, recomeçamos para crescer.

Ainda ontem, ouvindo tua voz, desertamos do dever, e dizendo-Te servir, distendemos a impiedade e a perturbação...

Hoje, porém, libertados da imprudência, levantamo-nos para a vida.

Sê nossa rota, nossa luz, nosso bastão.

Senhor, sustenta a nossa fragilidade e apiada-te de nós!



Por dentro do cérebro

Entrevista com o Dr. Paulo Niemeyer Filho, neurocirurgião, para a Revista Poder



Existe alguma coisa que se possa fazer para o cérebro funcionar melhor?

Você tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter motivação. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.

Cabeça tem a ver com alma?

Eu acho que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma... Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo.

O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?

Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral.
Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.

Você acha que a vida moderna atrapalha?

Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas morriam em casa com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.

Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?

O exagero. Na bebida, nas drogas, na comida. O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra. É muito difícil um cérebro muito bem num corpo muito maltratado, e vice-versa.

Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia?

Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.

Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?

Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem de saúde, de aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha, não é?

Você não vê contraindicações na manipulação dos processos naturais da vida?

O que é perigoso nesse progresso todo é que, assim como vai criar novas soluções, ele também trará novos problemas. Com a genética, por exemplo, você vai fazer um exame de sangue e o resultado vai dizer que você tem 70% de chance de ter um câncer de mama. Mas 70% não querem dizer que você vai ter, até porque aquilo é uma tendência. Desenvolver depende do meio em que você vive, se fuma, de muitos outros fatores que interferem. Isso vai criar um certo pânico. E, além do mais, pode criar problemas, como a companhia de seguros exigir um exame genético para saber as suas tendências. Nós vamos ter problemas daqui para frente que serão éticos, morais, comportamentais, relacionados a esse conhecimento que vem por aí, e eu acho que vai ser um período muito rico de debates.

Você acredita que na hora em que as pessoas puderem decidir geneticamente a sua hereditariedade e todo mundo tiver filhos fortes e lindos, os valores da sociedade vão se inverter e, em vez do belo, as qualidades serão se a pessoa é inteligente, se é culta, o que pensa?

Mas aí você vai poder escolher isso também. Esse vai ser o problema: todo mundo vai ser inteligente. Isso vai tirar um pouco do romantismo e da graça da vida. Pelo menos diante do que a gente está acostumado. Acho que a vida vai ficar um pouco dura demais, sob certos aspectos. Mas, por outro lado, vai trazer curas e conforto.

Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?

O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.

Já aconteceu de você recomendar um procedimento e a pessoa não querer fazer?

A gente recomenda, mas nunca pode forçar. Uma coisa é a ciência, e outra é a medicina. A pessoa, para se sentir viva, tem de ter um mínimo de qualidade. Estar vivo não é só estar respirando. A vida é um conjunto. Há doentes que preferem abreviar a vida em função de ter uma qualidade melhor. De que adianta ficar ali, só para dizer que está vivo, se o sujeito perde todas as suas referências, suas riquezas emocionais, psíquicas. É muito difícil, a gente tem de respeitar muito. É talvez esse respeito que esteja faltando. A Ética e a Moral devem voltar as salas de aula, desde a mais tenra idade.

Como é o seu dia a dia?

Eu opero de segunda a sábado de manhã, e de tarde atendo no consultório. Na Santa Casa, que é o meu xodó, nós temos 50 leitos, só para pessoas pobres. Eu opero lá duas vezes por semana. E, nos outros dias, na Clínica São Vicente. O que a gente mais opera são os aneurismas cerebrais e os tumores. Então, é adrenalina todo dia. Sem ela a gente desanima e o cérebro funciona mal. (risos)

Como você lida com a impotência quando não consegue salvar um paciente?
É evidente que depois de alguns anos, a gente aprende a se defender. Mas perder um doente faz mal a um cirurgião. Se acontece, eu paro com o grupo para discutir o que se passou, o que poderia ter sido melhor, onde foi a dificuldade. Não é uma coisa pela qual a gente passe batido. Se o cirurgião acha banal perder um paciente é porque alguma coisa não está bem com ele mesmo.

Como você lida com as famílias dos seus pacientes?
Essa relação é muito importante. As famílias vão dar tranquilidade e confiança para fazer o que deve ser feito. Não basta o doente confiar no médico. O médico também tem de confiar no doente. E na família. Se é uma família que cria caso, que é brigada entre si, dividida, o cirurgião já não tem a mesma segurança de fazer o que deve ser feito. Muitas vezes o doente não tem como opinar, está anestesiado e no meio de uma cirurgia você encontra uma situação inesperada e tem de decidir por ele. Se tem certeza de que ele está fechado com você, a decisão é fácil. Mas se o doente é uma pessoa em quem você não confia, você fica inseguro de tomar certas decisões. É uma relação bilateral, como num casamento. Um doente que você opera é uma relação para o resto da vida.

Você acredita em Deus?

Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando você acaba de operar, vai até a família e diz: "Ele está salvo". Aí, a família olha pra você e diz: "Graças a Deus!". Então, a gente acredita que não fomos apenas nós. É uma verdade.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Discovery Channel: A Ciência da Mágoa

(via Kardec Online)
Um fascinante documentário que investiga alguns dos mistérios mais intrigantes do coração e acompanha os cientistas na linha de frente da ciência cardíaca. Histórias incríveis do mundo inteiro parecem sugerir que o coração é um órgão muito mais complexo e misterioso do que se imaginava. Será realmente possível morrer por um coração partido? As experiências com pacientes de transplante de coração provam que o órgão é capaz de armazenar memórias? Como as doenças cardíacas são hoje a maior causa de mortes no mundo, este programa analisa o músculo mais importante do corpo humano de uma forma revolucionária. Desde as incríveis novas conexões entre o coração e a mente até o intrigante sistema de neurônios apelidado de “o pequeno coração no cérebro”, esta é a vida secreta do coração humano.

 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Onde você vê




















Fernando Pessoa


“Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer

Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa

Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo

E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar

Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura.”

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Curso de Passe com Manoel Messias


Por Katherine Quadros

Nos dias 05 e 12 de novembro, a Sociedade de Educação Espírita da Bahia, SEEB, promoveu o curso de passe com a presença do cientista espírita Manoel Messias. O curso aconteceu na sede da SEEB e contou com a participação de cerca de 30 pessoas em estágios diversos de conhecimento espírita, o que não foi empecilho para acontecer um evento harmonioso e agradabilíssimo.

Não é preciso discorrer sobre o conhecimento desse espírita que, com simplicidade vai despejando todo o seu tesouro adquirido com seriedade e muito amor. Aliás, o amor dá para respirar nas suas palavras – amor pela doutrina, pelo estudo e pelos mistérios que estão ocultos nesse grande iceberg que ainda é o nosso entendimento sobre o universo.

O assunto foi amplo e foi abordado conceitos sobre passe, corpo humano, onda, radiações, mente, fluidos, magnetismo, perispírito, cordões fluídicos, duplo etérico, saúde, água fluidificada, entre outros que foram resumidos em uma apostila que pode ser adquirida na sede da SEEB. Durante o curso, um vasto material de pesquisa feito pelo próprio Messias e por outros pesquisadores em todo o mundo foi acrescentado com leveza e bom humor. É difícil colocar aqui a riqueza deste material, pois não tem em livros, e é um resumo de anos de aprofundamento sobre o assunto.

Gostaria de mencionar uma colocação que me sensibilizou: “Quando dou um passe, eu sinto coisas que não entendo, mas sigo a intuição, observo depois estudo”. Conceitos e uma ampla literatura sobre cura foram mostrados, com comprovação científica sobre a melhora imunológica, cicatrização de feridas e influências diversas do passe sobre corpo humano e a natureza em geral. Foi discutido também a influência do passe sobre a água, inclusive a diferença de diversos recipientes como o metal sobre a qualidade da água. O passe muda a tensão superficial da água, permitindo que esta absorva os fluidos. Estudos com moléculas marcadas comprovaram a ação do passe sobre estas, mostrando que elas mudam de direção, inclusive quando o passe foi dado a distância.

Gostaria de finalizar com algumas sugestões de bibliografia sugeridas por Messias: Energia do Médium de Robson Pinheiro; a Codificação Espítita de Alan Kardec; As Palavras Curam, de Larry Dossey; Medicina Vibracional, de Richard Gerber; Medicina Espiritual da Cura, de Herbert Benson; entre muitos outros que foram mencionados durante o curso.

Natural de Aracajú-SE, formado em Engenheira Civil, Manoel Messias é articulista e expositor espírita. Atual Secretário para Assuntos Culturais e Científicos da Associação de Medicina e Espiritismo da Bahia, efetua pesquisas nas áreas de bioenergia, mediunidade e kirliangrafia utilizando equipamento de última geração. Coordenou pesquisa laboratorial a respeito da Influência da Bioenergia do Passe sobre a água, concluindo pela efetiva alteração físico-química das amostras e pela possibilidade de medição daquela alteração.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

É impossível esquecer o Auto-de-Fé de Barcelona

Jávier Godinho
JORNAL DA MANHÃ
Há 150 anos - mais exatamente no dia 9/10/2011 -, 300 exemplares de O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O que é o Espiritismo, de Allan Kardec, enviados da França, foram confiscados na Espanha pelo arcebispo dom Antônio Palau Y Termenes e queimados em praça pública, no denominado Auto-de-Fé de Barcelona.
Auto-de-fé era uma coisa muito feia e triste, explosão de intolerância religiosa, que até hoje provoca atos de destruição e morte e guerras, principalmente no Oriente Médio. A enciclopédia ensina que por auto-de-fé se entendia a cerimônia pública em que se liam as sentenças da Inquisição, muitas vezes com a presença da realeza. Em geral, aconteciam na principal praça da cidade, com uma procissão prolongada, missa solene, juramento de obediência ao Tribunal do Santo Ofício, sermão e leitura das sentenças de condenação. Constituíam a maioria das vítimas os cristãos-novos apóstatas, alumbrados, acusados de bruxaria e de bigamia, e protestantes. A pena máxima que o inquisidor podia aplicar era de prisão perpétua. Pena de morte, quem impunha era a autoridade civil. Entre o primeiro auto-de-fé, realizado em Sevilha, na Espanha, em 1481, e o último, que teve lugar no México, em 1850, os penitenciados somaram dezenas de milhares. Somente em Lisboa, entre o primeiro, em 1540, e o último, em 1767, esse número ultrapassou 23 mil condenados.
O Auto-de-fé de Barcelona foi uma dessas violências históricas, cometidas por uma autoridade católica contra o Espiritismo, que então surgia, tomando-lhe indevidamente as primeiras obras e determinando sua queima no melhor estilo inquisitorial, mesmo já tendo a Inquisição terminado na Espanha em 1820.
Na manhã daquele dia, milhares de cidadãos de Barcelona, capital da província de Catalunha, afluíram à esplanada da cidade para assistir à incineração das três centenas de livros espíritas, importados da França. Dom Antônio Palau Y Termens mandou apreendê-los sob alegação de serem "imorais e contrários à fé católica".
Por volta de 10h30, surgiu um padre, vestido com paramentos especiais para ritos daquela espécie, trazendo numa das mãos uma cruz e, na outra, uma tocha. Cuidando do aspecto legal, acompanhavam-no um notário, espécie de assessor, encarregado de redigir a ata da cerimônia; um funcionário superior da administração aduaneira; três serventes, encarregados de manter aceso o fogo, e um agente da alfândega, representando o adquirente das publicações que seriam queimadas. Cumprindo os rituais da Igreja, o padre lançou a tocha sobre as pilhas de livros, encarregando-se os serventes de manterem acesa mais uma fogueira da Inquisição, oficialmente extinta na Espanha há 41 anos.
Um artista registrou a cena principal numa aquarela e, quando, finalmente, o fogo se apagou, a comitiva clerical se retirou, sob as vaias da multidão e os gritos de "abaixo a Inquisição!".
Os tribunais do Santo Ofício, durante seis séculos, perseguiram, apropriaram-se de propriedades e torturaram milhares de inocentes, os chamados hereges (aqueles que professam doutrina contrária a dogmas da Igreja), milhares dos quais foram queimados vivos, como aconteceu até a Joana D'Arc, heroína das Cruzadas, mais tarde considerada santa pela própria Igreja Católica.
O adquirente dos 300 exemplares era o renomado escritor e editor francês Maurice Lachâtre, autor da História dos Papas (10 volumes) e História da Inquisição. Ele estava refugiado em Barcelona, fugindo do regime absolutista de Napoleão III, que o condenara a cinco anos de prisão por haver editado o célebre Dicionário Universal Ilustrado.
Os exemplares de O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O que é o Espiritismo chegaram a Barcelona num lote juntamente com outros, todos devidamente comprados e pagos, sem direito a reembolso pelo proprietário. Enviados de Paris, haviam sido inspecionados na alfândega espanhola, cobrando-se do destinatário todos os tributos correspondentes.
O bispo Antônio Palau Y Termens era homem de ampla cultura, doutor em Teologia, catedrático do Seminário de Barcelona, cônego magistral de Tarragona e autor de várias obras religiosas. Ele alegou, para desapropriar e mandar destruir os livros espíritas:
"A Igreja Católica é Universal, e sendo esses livros contrários à moral e à fé católica, o governo não pode permitir que eles pervertam a moral e a religião dos outros países".
A propósito, o jornal La Carona publicou, à época, o seguinte:
"Os sinceros amigos da paz, do princípio de autoridade e da religião, se afligem com essas demonstrações reacionárias porque compreendem que às reações sucedem as revoluções. Os liberais sinceros se indignam de semelhantes espetáculos, dados por homens que não compreendem a religião sem a intolerância e querem impor como Maomé impunha o seu Alcorão".
Por sua vez, perdão é uma coisa muito bonita e feliz, nesse caso impondo o bom senso e a paciência sobre a intolerância e a arbitrariedade. Jesus, no seu momento supremo na cruz, não pediu ao Pai perdão para seus algozes?
Allan Kardec seguiu em frente, determinado e sereno, no seu trabalho, reconhecendo nessa agressão tão somente a reação de incomodados com a crescente aceitação da Doutrina Espírita ainda no seu dealbar. Não permitiu que se fossem à imprensa reclamar e aos tribunais exigir indenização. O edital de outubro da revista Reformador, da Federação Espírita Brasileira, é justamente sobre esse assunto e merece reflexão.
Perdoar é a expressão maior da caridade e se manifesta nas almas nobres, independentemente de crença religiosa.
A frase mais conhecida de Nelson Mandela, por exemplo, é um primor dessa virtude. Preso 28 anos por sua luta contra o apartheid - odioso domínio total da minoria branca sobre a imensa maioria negra -, ao ser eleito presidente da república, ele emocionou o mundo com a frase que proferiu, alusiva ao que sofrera e ao que faria no comando da África do Sul renovada para o bem: "Não posso esquecer, mas posso perdoar".

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A vida após a morte e suas distintas interpretações






Conteúdo do site BONS FLUIDOS


Publicado em 01/08/2011Raphaela de C. Mello
Veja como cada religião - espiritismo, budismo, hinduísmo, judaísmo, candomblé, islamismo, catolicismo - compreende a vida após a morte


Se a vida depois da morte existe ou não ninguém poderá emitir atestado de garantia. Mas o que com certeza se conhece muito bem é o avassalador interesse do público pelo tema.

Em meio a tantas incertezas - de terremotos e tsunamis a doenças de cura desconhecida, mesmo com tanta oferta de tecnologia -, a continuidade da vida em planos superiores soa como o refrigério de que necessitamos para nos mantermos em pé. "Essa certeza é um consolo incrível. Apegados a ela, não precisamos depositar todas as esperanças apenas na vida física", diz Geraldo Campetti, diretor da Federação Espírita Brasileira.

Por outro lado, a imortalidade do espírito nos responsabiliza pelos sentimentos, pensamentos e ações praticados aqui, no plano terrestre. Carregaremos para a vida depois da morte os créditos e os débitos angariados no dia a dia. "Se acredito que a morte é passagem, transformação, eu vivo a vida de forma mais consciente e coerente", afirma Geraldo. Assim, não corremos o risco de ser abatidos pela desmotivação, manifesta em questionamentos como estes: "Para que me esforçar para ser um ser humano melhor, se tudo vai acabar um dia?", "Se existe um Deus justo, por que pessoas inocentes são alvo de tantas calamidades?".

Confira então de que maneira cada religião compreende o que nos espera além desta vida!

Espiritismo

"De acordo com a doutrina espírita, o espírito - a essência do ser - continua vivo depois da morte, que só atinge o corpo. O que encontramos do outro lado reflete o que realizamos na Terra. É uma consequência justa, baseada no merecimento. Desencarnação é o processo de libertação do espírito. No entanto, este pode ficar apegado a dores, paixões, vícios, materialismo, preocupações. O desligamento do plano material consome dias, meses ou até anos. Há, inclusive, aqueles que não sabem que desencarnaram. Por isso, é importante termos em vida a compreensão de que haverá continuidade e de que não faremos a travessia sozinhos. O espírito é acompanhado por amigos espirituais e familiares. Pela sintonia que estabelece por meio de pensamentos e sentimentos, será atraído para comunidades de luz ou para o umbral, espécie de purgatório temporário, onde terá a chance de aprender e se elevar. Quando estiver preparado, o espírito retornará ao plano físico num novo corpo para quitar dívidas e adquirir créditos. Alguns chegam devendo e voltam ainda mais endividados por causa de orgulho, desequilíbrios e faltas graves. Reencarnamos quantas vezes forem necessárias. Seres de luz podem ascender ao mundo superior e não mais voltar à Terra."
Geraldo Campetti, diretor da Federação Espírita Brasileira (FEB)


Budismo

"Vida e morte são uma unidade, não se separam. Tudo, a cada instante, está nascendo e morrendo e logo não há nascimento a ser desejado nem morte a ser rejeitada. Dentro do quadro imenso do universo, os seres estão em movimento e cada um carrega uma personalidade perecível. O budismo nega o eu eterno. Os seres morrem e renascem abandonando a ideia do que foram. Buda dizia que o corpo morto é uma carroça quebrada e não se deve arrastar uma carroça quebrada, ou seja, devemos nos desapegar dessa forma. O budismo japonês não nega nem afirma categoricamente esse processo. A vertente tibetana aceita a volta do espírito em outras vidas. Para os discípulos dessa corrente, depois da morte do corpo físico a consciência cumpre 49 etapas em 49 dias, a fim de se reorganizar. Depois, há o renascimento em algum nível de realidade, seja humano, animal ou inanimado, determinado pelo carma vivido. Se fatos e circunstâncias influenciaram a vida da pessoa, depois da morte continuam a produzir efeitos e consequências na trajetória dela. Os budistas criam alegorias para entender o que acontece depois desse plano - cada um terá sua própria experiência. Portanto, cabe aqui uma única recomendação: faça o bem a todos os seres. Afinal, não há criaturas piores ou melhores. Todos somos interligados, cada espécie com sua função e necessidade no mundo."
Monja Coen, fundadora da Comunidade Zen Budista, em São Paulo.


Hinduísmo

"Na Índia, quando uma pessoa morre, seu corpo é levado pelos parentes para o Rio Ganges. Lá ocorre a cremação, num ritual repleto de detalhes. Para os indianos, a pessoa não é o corpo, mas a alma, que parte para outra dimensão. Por isso, cantam e festejam. Dependendo do mérito conquistado em vida, o espírito passará um período no loka - uma espécie de céu. Esgotadas as credenciais, tem de retornar à instância física. No trajeto, assimila o que necessita vivenciar na próxima estada - o espírito percorre as dimensões mentais e emocionais e vai conhecendo os desafios que terá de enfrentar na vida nova. Nasce, portanto, imbuído da missão que vem cumprir na encarnação atual, resgatando uma parcela dos erros cometidos no decorrer das vidas anteriores. E regressa para as famílias alinhadas a seu mérito (ou demérito) espiritual, mental e emocional. Almas evoluídas nascem na mais alta casta, a dos brâmanes, representada por sacerdotes e filósofos. O grupo logo abaixo cai na casta dos xátrias, composta de guerreiros e políticos. As almas menos nobres vão para a casta dos comerciantes, os vaishas, e, por último, para a casta dos trabalhadores, os shudras. Quando a alma atinge um patamar espiritual elevado e consegue finalmente se desapegar do mundo material, mental e emocional, passa a ter um entendimento perfeito das coisas, sem ilusões. Aí não precisa mais encarnar. A grande maioria dos indianos aceita essa sina plenamente. Entende que está onde está por mérito e, se ascender, passando por todas as instâncias no decorrer de sucessivas encarnações, haverá uma grande ordem social. Do contrário, imperará a desordem."
Luís Malta Louceiro, filósofo e especialista em cultura indiana.


Judaísmo

"O judaísmo prega que todos os mortos serão ressuscitados na Era Messiânica (quando o Messias chegar à Terra). Mas a ideia da reencarnação também está presente nos livros judaicos, embora os rabinos falem muito pouco sobre ela. Para a cabala - conjunto de princípios espirituais anterior às grandes religiões monoteístas -, a alma é imortal. Antes de nascer, assinamos uma espécie de contrato por meio do qual nos comprometemos a enfrentar determinadas situações desafiadoras que podem trazer tristezas e dificuldades, provações que contribuem para nosso aperfeiçoamento. Quando morremos, revisamos o que fizemos ou não na Terra antes de estar aptos a retornar. Há três níveis de alma que vão pouco a pouco se alojando no corpo. O mais "baixo", chamado nefesh, entra primeiro; o intermediário, ruach, aos 12 ou 13 anos; e o mais elevado, neshama, aos 20 anos. Quando a pessoa morre, a neshama leva uma semana para partir - por isso, nesse período, os espelhos da casa são cobertos. Assim, a alma, ainda confusa em relação a seu estado, não corre o risco de levar um choque ao visitar o local. O segundo nível demora até 30 dias para desabitar o corpo. E o mais baixo até um ano. Enquanto a alma ou partes dela estiverem ligadas ao corpo, não estará pronta para reencarnar, o que pode lhe causar sofrimento. A consciência da pessoa em vida determina seu entendimento na hora da morte. De toda forma, para proteger o ente querido e ajudar a alma a se elevar, demonstrando amor por quem partiu, os familiares entoam uma prece em sua memória, chamada kadish."
Yonatan Shani, diretor do Kabbalah Centre do Brasil


Candomblé

"O candomblé compreende diversas vertentes. Respondo pelo candomblé contemporâneo, que agrega conceitos de filosofia, psicologia e tradições orientais. Sob tal perspectiva, se o indivíduo leva uma vida imbuída de verdade, o pós-morte será uma extensão de suas ações, portanto, uma passagem confortável, sem julgamentos. Tal passagem pode ser facilitada também pela influência dos orixás - entidades que representam o vento, o mar, a mata e assim por diante - e que lhe servem de guias espirituais. Acreditamos no processo evolutivo da reencarnação e na existência de reinos espirituais, para onde se encaminham os mortos, dedicados a cada tradição religiosa. Essas comunidades interagem, não há fronteiras entre elas. Depois da morte, o tempo é relativo e o espírito pode ser resgatado ou não - tudo dependerá de como usou o livre-arbítrio. Quem realiza esse resgate nas comunidades espirituais são os espíritos de luz, como os velhos, os caboclos, os índios, as pombagiras, que recebem quem chega e também transmitem ensinamentos com vistas à evolução. Depois de sucessivas reencarnações, o espírito pode optar por servir aos homens encarnados como um ser de luz e não mais retornar à Terra. Ainda assim segue trabalhando pelo próprio aprimoramento."
Babalorixá Kabila Aruanda, de São Paulo.


Islamismo

"Os muçulmanos acreditam que todos nascem puros e inocentes, com uma beleza inata e a capacidade de progredir e adquirir conhecimento. No entanto, possuímos o livre-arbítrio. Ao mesmo tempo em que temos uma tendência natural para o bem, somos livres e capazes de crueldade e injustiça. Sendo assim, quem professa a fé islâmica será responsabilizado por todos os seus pensamentos e ações no Dia do Juízo, quando o mundo será enrolado como um pergaminho e todos serão julgados por Deus. Aqueles que apresentarem bons atos serão recompensados com o paraíso, os outros irão para o inferno - conceitos puramente metafóricos. A verdadeira natureza do céu e do inferno só é conhecida por Deus. A crença no Dia do Juízo significa que a morte não é o fim da vida, mas um portal para a vida eterna. Portanto, os muçulmanos percebem o tempo como sendo contínuo, desse mundo para o próximo; e o tempo passado aqui moldará a natureza do tempo eterno. Em suma, a salvação - neste mundo e na vida depois da morte - está em praticar boas obras e promover tudo o que seja nobre, justo e digno de louvor."
Ziauddin Sardar, autor de Em que Acreditam os Muçulmanos (Civilização Brasileira)


Catolicismo

"O fundamento da fé na ressurreição se encontra no fato de Deus ter ressuscitado seu filho, Jesus. Morrer e ser ressuscitado significa chegar a uma ampliação plena da cognição, de tal maneira que, só na morte, a pessoa tenha a possibilidade de conhecer, com clareza total e absoluta, o significado e as consequências de sua vida vivida, no nível individual, socioestrutural, histórico e cósmico. Ela própria, junto com Deus e com base nos parâmetros dele, julga sua trajetória, percebendo, em que medida, correspondeu ou não às diretrizes divinas. Tal processo é conhecido por "juízo final". Na morte, Deus oferece a cada pessoa uma última oportunidade de conversão, momento chamado de "purgatório". No entanto, ela pode se negar a aceitar os critérios superiores por Ele estabelecido. Ao agir assim, criaria para si uma situação degradante, o "inferno". Deus quer que todas as pessoas alcancem a plenitude, o "céu", que significa a comunhão plena e íntima com Ele. Dessa forma, o ser humano fica para sempre amparado no amor divino, numa felicidade total, além de viver em comunhão com seus irmãos e irmãs."
Renold Blank, doutor em teologia e filosofia e professor emérito da Pontifícia Faculdade de Teologia de São Paulo.